A indústria de biocombustíveis nos Estados Unidos projeta dobrar de tamanho até 2030, alcançando US$ 68 bilhões. O crescimento ocorre paralelamente a políticas públicas e incentivos econômicos, apesar do discurso favorável aos combustíveis fósseis do presidente Donald Trump.
A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) estabeleceu metas ambiciosas para o programa Renewable Fuel Standard (RFS), prevendo volumes recordes de mistura de biocombustíveis. Espera-se um aumento de mais de 60% na produção de biodiesel e diesel renovável até 2025, impulsionando a demanda por matérias-primas como milho e soja.
Donnell Rehagen, CEO da Clean Fuels Alliance America, destacou o expressivo investimento em infraestrutura e capacidade produtiva do setor. A capacidade de produção de diesel renovável nos EUA saltou de 3,8 bilhões de litros em 2020 para quase 19 bilhões de litros no ano passado.
Geoff Cooper, presidente da Renewable Fuels Association, afirma que o mercado de etanol está robusto, com demanda recorde tanto no mercado doméstico quanto nas exportações. O biogás também se mostra promissor, com cerca de 70 novos projetos iniciados no último ano, totalizando investimentos de US$ 2 bilhões.
Johannes Escudero, CEO da Coalition for Renewable Natural Gas, aponta a correlação entre políticas públicas e o crescimento do biogás, apesar dos desafios econômicos como o alto custo produtivo e a falta de subsídios comparáveis aos do petróleo.
Agentes do setor interpretam as políticas energéticas como pró-combustíveis líquidos, com os biocombustíveis desempenhando um papel crucial. A competitividade econômica, impulsionada por regulações como o RFS e créditos tributários, também favorece a expansão.
A segurança energética e o apoio à economia rural são fatores que convergem para o avanço dos biocombustíveis. Iniciativas estaduais, como as da Califórnia, que responde por mais da metade do consumo de biodiesel e diesel renovável, também impulsionam o setor.
O preço mais acessível do etanol, como no caso da gasolina E15, que é até US$ 0,11 mais barata por litro, atrai o consumidor americano. No entanto, analistas ponderam que fatores como o custo das matérias-primas podem influenciar o preço final dos biocombustíveis.