Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou nesta quarta-feira (15) as centrais sindicais a mobilizarem os trabalhadores para pressionar o Congresso Nacional pela aprovação do projeto de lei que limita a jornada de trabalho a no máximo 40 horas semanais e extingue a escala 6x1. O apelo ocorreu após o recebimento de 68 reivindicações dos sindicalistas, reunidos em Brasília para a “marcha da classe trabalhadora”.
“Vocês não podem abdicar da sagrada responsabilidade de vocês de lutar pelos trabalhadores que vocês representam”, disse Lula aos dirigentes, ressaltando o caráter desafiador do período e a necessidade de apoio na aprovação de medidas importantes para a categoria.
O presidente homenageou o ativista Rick Azevedo, idealizador do movimento Vida Além do Trabalho, que inspirou o projeto de redução de jornada. Lula sugeriu que a futura lei leve o nome do ativista.
Lula também criticou as reformas Trabalhista (2017) e da Previdência (2019), classificando-as como retrocessos. Alertou ainda sobre a oposição que defende medidas semelhantes às da Argentina, que poderiam aumentar a jornada de trabalho para 12 horas diárias.
Em resposta, representantes sindicais celebraram a iniciativa do governo. Adilson Araújo, presidente da CTB, previu a geração de 4 milhões de empregos com a redução da jornada e defendeu a modernização da indústria com foco em sustentabilidade e combate à pejotização.
Miguel Torres, presidente da Força Sindical, destacou a importância da redução para o tempo com a família, saúde e lazer, e considerou o projeto maduro para aprovação. Clemente Ganz, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, apresentou uma pauta de 68 reivindicações para os próximos cinco anos, abordando os impactos da tecnologia, inteligência artificial e mudanças climáticas no mundo do trabalho, com especial atenção a mulheres e jovens.
Ricardo Patah, presidente da UGT, ressaltou a necessidade de proteger trabalhadores de aplicativo e entregadores, focando em saúde e juventude. Sônia Zerino, presidenta da Nova Central, incluiu o combate ao feminicídio na pauta da classe trabalhadora, enfatizando a conscientização pela educação.