O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado foi rejeitado nesta terça-feira (23) pelos membros da comissão. O parecer, apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outras autoridades.
Com seis votos contrários e quatro a favor, a CPI encerra seus trabalhos sem um documento conclusivo. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), lamentou o fim da comissão sem resultados expressivos e criticou a falta de prorrogação dos trabalhos pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Contarato também apontou o STF como um dos responsáveis por dificultar a coleta de provas e depoimentos, mas se posicionou contra o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo o presidente da CPI, o ato de indiciamento exige grande responsabilidade e não pode ser usado como ferramenta de disputa política.
O relatório, com 220 páginas, apresentava um mapeamento de 90 organizações criminosas atuantes no Brasil, incluindo Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o parecer, cerca de 26% do território nacional estariam sob o controle do crime organizado, afetando 28,5 milhões de brasileiros.
A CPI investigou o modus operandi de facções e milícias, a ocupação territorial, crimes relacionados a atividades econômicas, lavagem de dinheiro e infiltração no Poder Público. O relator, Alessandro Vieira, atribuiu a derrota na votação a uma intervenção direta do Palácio do Planalto.