José Guimarães tomou posse como novo articulador político do governo nesta terça-feira (14/04/2026), em cerimônia que reuniu presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Arthur Lira, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento, no Salão Oeste do Palácio do Planalto, destacou a proximidade entre os poderes, apesar de conversas reservadas entre Lula e Alcolumbre terem gerado especulações.
Durante o evento, Alcolumbre e Lula foram vistos conversando em particular em quatro momentos distintos. Em uma das ocasiões, após uma conversa ao pé de ouvido, Lula demonstrou incômodo, em um gesto que pode remeter a tensões passadas sobre a indicação de Jorge Messias para o STF. Lula enviou o nome de Messias para sabatina no Senado, marcada para 29 de abril, após Alcolumbre ter segurado a indicação por quase cinco meses.
Em seu discurso, o presidente da Câmara, Arthur Lira, elogiou a relação com Guimarães, a quem chamou de "amigo-irmão", mas também enviou um recado ao governo, afirmando que a articulação política "não pode ser feita por uma pessoa". Lira e o Planalto enfrentaram tensões em 2025, mas a relação se reaproximou no final do ano.
A posse contou com a presença de ministros, ex-ministros, governadores e parlamentares. Após a cerimônia, Lula almoçou com Lira para discutir prioridades, incluindo um projeto de lei sobre o fim da jornada de trabalho 6x1, que o governo tem pressa em aprovar antes das eleições.
Alcolumbre, por sua vez, criticou o que chamou de "agressão permanente às instituições" e o "ofender os outros", em fala que pode ter sido direcionada à CPI do Crime Organizado, que pediu o indiciamento de ministros do STF. Ele também citou o "sacrifício pessoal" de Guimarães ao assumir a articulação política e desistir de concorrer ao Senado pelo Ceará, uma jogada que beneficia aliados do PT no estado.
Entre os presentes estavam os governadores Elmano de Freitas (CE), Fátima Bezerra (RN) e Carlos Brandão (MA), além de ex-ministros como Camilo Santana e André Fufuca.
Fonte: O Globo