A base governista articulou, às vésperas do fim dos trabalhos, a troca de dois senadores de oposição na CPI do Crime Organizado. A manobra visa impedir a votação do relatório final ou garantir sua derrota na última sessão do colegiado.
Saíram do colegiado Sergio Moro (União-PR) e Marcos do Val (Podemos-ES), ambos da oposição e favoráveis ao parecer. Foram substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE), senadores alinhados ao governo.
A substituição, fruto de um acordo entre aliados, busca garantir ao menos sete votos para esvaziar a deliberação em um total de 11 titulares. A nova composição inclui o presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), Humberto Costa (PT-PE), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Otto Alencar (PSD-BA), formando maioria para derrotar o parecer.
Marcos do Val expressou indignação com a retirada: "Estou tentando entender. O sistema é assim", declarou ao GLOBO.
A leitura nos bastidores é que a mudança altera a correlação de forças no momento decisivo, consolidando o cenário de encerramento sem deliberação do relatório, que pede o indiciamento de ministros do STF e do procurador-geral da República.
Aliados do governo defendem a substituição como uma prerrogativa regimental das lideranças partidárias. A oposição, contudo, classifica o movimento como intervenção direta para barrar a votação.
A alteração foi formalizada no sistema do Senado em 14.04.2026, com Beto Faro substituindo Sergio Moro e Teresa Leitão substituindo Marcos do Val, conforme registro da liderança do MDB.
Fonte: O Globo