O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou nesta terça-feira (14/4/2026) o relatório da CPI do Crime Organizado como uma tentativa de "constrangimento institucional" que visa "produzir dividendos eleitorais". Mendes criticou o que chamou de "excesso" na apuração, que lhe atribui suposto crime de responsabilidade, e defendeu que a Procuradoria-Geral da República investigue o caso por abuso de autoridade.
Em sua conta na rede social X, o decano da Corte fez críticas diretas ao presidente da CPI, Alessandro Vieira, questionando o fato de a comissão não ter quebrado o sigilo de milicianos e faccionados. Mendes afirmou ser "perturbador" que o parlamentar "tenha fechado olhos para colegas que cruzaram para o lado sombrio das milícias".
Para Gilmar Mendes, o relatório de Vieira é uma "verdadeira cortina de fumaça" e o pedido de indiciamento de integrantes do STF "flerta com arbitrariedades", sem base legal. Ele argumentou que a lei do impeachment não prevê a participação de CPIs e que o ato de indiciamento não se aplica a crimes de responsabilidade, disposições que, segundo ele, são "elementares" até para estudantes de Direito.