O Ministério Público do Rio (MP-RJ) entrou com uma ação civil pública nesta sexta-feira (10/04/2026), exigindo que os ex-dirigentes do Rioprevidência cubram um rombo de R$ 1 bilhão. O valor é resultado de aportes feitos em papéis do Banco Master. A ação também pede o afastamento do atual presidente do órgão, Nicholas Cardoso, que, segundo o MP, deu seguimento a práticas de seu antecessor, Deivis Marcon Antunes, preso desde fevereiro.
O MP alega que os dirigentes devem assumir responsabilidade pessoal pelo rombo, conforme parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) de maio do ano passado. Os promotores pedem que a Justiça rejeite a proposta do governo estadual de usar valores de empréstimos consignados de servidores para cobrir o prejuízo.
Em dezembro, a Justiça do Rio autorizou o governo a reter pagamentos de servidores ao Banco Master referentes ao programa de crédito consignado Credcesta. O MP, no entanto, considera a estrutura do Credcesta inválida e propôs a restituição dos valores aos servidores.
Os promotores pediram o bloqueio de cerca de R$ 1 bilhão em contas de Antunes e Cardoso. Na gestão de Deivis Antunes, o fundo estadual aportou R$ 970 milhões em papéis do Banco Master, liquidado pelo Banco Central no fim de 2025 por suspeita de gestão fraudulenta. A restituição dos recursos destinados a aposentadorias de servidores ainda é incerta.
Antunes modificou as regras de investimento do Rioprevidência, permitindo os aportes no Master. Na gestão de Cardoso, R$ 118 milhões foram alocados em três instituições financeiras não credenciadas, o que também é alvo de investigação.
O MP afirma que os aportes de Cardoso contrariam normativas internas e demonstram inércia deliberada. A intervenção imediata na gestão do Rioprevidência é considerada necessária para quebrar a cadeia de atos ilegais e impedir a dilapidação do patrimônio dos servidores.