O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu investigação para apurar se a Presidência da República utilizou indevidamente a máquina pública em benefício do desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela escola de samba Acadêmicos de Niterói. A Corte determinou que a Casa Civil e a Secretaria de Comunicação Social (Secom) prestem esclarecimentos em até 15 dias sobre a participação de servidores federais no evento, que ocorreu entre 1º e 18 de fevereiro no Rio de Janeiro.
O TCU solicitou ao governo a lista de todos os servidores deslocados para o Rio com o objetivo de acompanhar ou dar suporte a Lula, à primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e a ministros durante o evento na Marquês de Sapucaí. Também foram pedidos os custos totais da Administração Pública Federal com esses deslocamentos, detalhando gastos com diárias, passagens, hospedagem e horas extras.
A investigação atende a um pedido de parlamentares do Partido Novo, que alegam desvio de finalidade e uso indevido da estrutura da Presidência na organização do carro alegórico "Amigos do Lula". Segundo a representação, servidores e o cerimonial da Presidência teriam atuado na organização de convites, coordenação de convidados e logística do desfile.
A primeira-dama desistiu de participar do desfile de última hora, alegando temer perseguição à escola. Ela foi substituída pela cantora Fafá de Belém. Lula e ministros acompanharam os desfiles de um camarote cedido pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes.
A passagem da agremiação pela Sapucaí gerou críticas de opositores, que acusam o presidente de cometer ilícitos eleitorais. Especialistas divergem sobre a legalidade do desfile.