Um eleitorado crescente no Brasil, composto por 33% de independentes, busca alternativas aos polos polarizados de Lula e Bolsonaro. Esses eleitores, frustrados com o cenário político atual, sentem-se desencantados e muitos afirmam votar em candidatos que não desejam. Uma pesquisa qualitativa realizada pelo Projeto Plaza Publica em dezembro de 2025 com 2.234 entrevistados revela que os sentimentos dos independentes se aproximam mais aos da "esquerda não lulista", embora a distância afetiva seja menor em comparação com o campo conservador, onde a diferença entre "direita não bolsonarista" e bolsonaristas é mínima.
A pesquisa dividiu os respondentes em quatro territórios afetivos: Expectativa, Potencial, Angústia e Instabilidade. Os dados mostram que 38% do total se identificam com a Instabilidade, mas esse número cai para 34% entre os independentes, 24% na esquerda não lulista e sobe para 53% na direita não bolsonarista. No território do Potencial, 16% do total se identificam, com o mesmo percentual entre os independentes, 18% na esquerda não lulista e apenas 6% na direita não bolsonarista.
Esses achados sugerem que um candidato que se posicione "contra a polarização" pode conquistar a credibilidade dos eleitores independentes, aproximando-se emocionalmente da "esquerda não lulista". A análise, conduzida por Eduardo Sincofsky, mestre em Análise da Opinião Pública e psicólogo, destaca que a conexão com esse eleitorado não se baseia em pautas econômicas ou de segurança, mas na forma como as emoções são mediadas e expressas. Diferente dos campos mais "viscerais" de lulistas e bolsonaristas, os independentes apresentam um afeto mais "morno", exigindo uma abordagem que lide com o desencanto.
Com mais de oito anos de polarização política no Brasil, as marcas emocionais são profundas e dinâmicas. A pesquisa indica que 43% da população ainda pode mudar seu voto, levantando a questão se a ressaca emocional dos independentes os levará a votar em branco, nulo ou a se abster.