Um estudo divulgado pela ACT Promoção da Saúde e Agência Bori revela que a inflação de alimentos no Brasil é um problema estrutural, impactando mais o preço dos produtos frescos em comparação aos ultraprocessados. O economista Valter Palmieri Junior, autor da pesquisa, desmistifica a ideia de que a alta nos preços seja apenas sazonal ou conjuntural.
A pesquisa demonstra que, em quase 20 anos, o custo da alimentação do brasileiro aumentou mais de 300%, superando significativamente a inflação geral. Itens como tubérculos, raízes, legumes, carnes e frutas foram os que mais sofreram com o encarecimento.
Em contrapartida, o poder de compra para alimentos ultraprocessados, como refrigerantes e embutidos, aumentou. O estudo atribui esse fenômeno à dependência de insumos importados, ao modelo agroexportador que prioriza o mercado externo e à concentração da cadeia produtiva em poucas empresas estrangeiras.
O economista também alerta para a "inflação invisível", onde produtos mantêm o preço, mas perdem qualidade pela alteração na composição. Para reverter o quadro, o estudo sugere a desconcentração produtiva, o fortalecimento do mercado interno, a ampliação do acesso à terra e a reforma agrária.
A pesquisa argumenta que a comida barata libera renda para o consumo de outros bens, beneficiando o próprio capitalismo e outros setores produtivos.