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domingo, 25 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Galípolo: 'Gordura' na Selic possibilitou corte de juros e alerta para uso do rotativo

Presidente do Banco Central explica que margem de segurança na Selic permitiu iniciar corte de juros e alerta para endividamento com rotativo do cartão.

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Galípolo: 'Gordura' na Selic possibilitou corte de juros e alerta para uso do rotativo

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira que a margem de segurança na taxa Selic, construída com uma postura conservadora, permitiu ao Comitê de Política Monetária (Copom) iniciar o ciclo de redução de juros em março, mesmo diante da volatilidade gerada pela guerra no Oriente Médio. Ele também expressou preocupação com o uso frequente do crédito rotativo por parte da população e destacou a necessidade de soluções estruturais para o endividamento.

Galípolo explicou que o Banco Central adota uma cautela superior à do mercado na condução dos juros desde o fim do ano passado. Como exemplo, citou a decisão do Copom de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual em março, para 14,75% ao ano, enquanto o mercado esperava uma queda de 0,50 ponto percentual.

Essa abordagem conservadora, segundo o presidente do BC, deu ao Copom a flexibilidade para iniciar o corte de juros mesmo com a escalada dos preços do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio. "Essa gordura que foi acumulada em uma posição mais conservadora ao longo das últimas reuniões do Copom permitiu, mesmo diante de novos fatos, que esses novos fatos não alteraram a conjuntura como um todo (...) à luz do que vem acontecendo com a transmissão da política monetária e das incertezas que tem com choque de oferta do petróleo, para que a gente alterasse a nossa trajetória", declarou Galípolo.

Ele acrescentou que essa margem de segurança permitiu ao Copom ganhar tempo para analisar o impacto da guerra na inflação doméstica. "A gente é mais transatlântico do que jet ski. A gente não vai fazer movimentos bruscos nem extremados", disse. "Eu não usei propositalmente a palavra esperar, porque a gente queria ter mais coerência com a decisão, que a decisão foi ganhar tempo. Significa: dá para gente continuar na trajetória que a gente entendia de iniciar o ciclo de calibragem da política monetária.".

Em relação ao endividamento, Galípolo reiterou que o uso do rotativo do cartão de crédito por parte da população como se fosse uma extensão da renda disponível é um problema significativo no Brasil. "Quando a gente olha que tem 40 milhões de pessoas físicas que tomam juros a 15%, não ao ano, mas ao mês, e que a população considera o rotativo como sendo uma fatia da renda disponível, eu acho também bastante problemático. E o que demanda a gente conseguir pensar em estruturas que consigam endereçar isso.".

O presidente do BC conectou o endividamento ao aumento da bancarização e à busca por crédito durante a pandemia de Covid-19, período em que os juros e a renda caíram, mas o custo de vida subiu globalmente. "O que sugere que a pessoa vá se endividar para complementar a renda. No Brasil, isso acontece somado a um evento de bancarização e de uma relação com crédito rotativo que acentua isso. Se a gente olhar para o endividamento das famílias, o grande degrau está ali (na pandemia). Depois volta um pouquinho.".

Fonte: O Globo

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