A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) elegeu Douglas Ruas (PT) como seu novo presidente em uma sessão marcada por intensos debates e divergências políticas nesta quinta-feira (26/03/2026). A eleição foi celebrada por apoiadores da direita, que a consideraram uma vitória contra os grupos de Lula e Eduardo Paes. Em contrapartida, parlamentares de esquerda classificaram o processo como um "golpe" e anunciaram a intenção de acionar a Justiça para contestar o resultado.
O PSD, partido de Eduardo Paes, ajuizou um mandado de segurança com o objetivo de impedir a votação. Um dos argumentos centrais é o descumprimento de uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a recontagem dos votos de Rodrigo Bacellar (União Brasil), cujo mandato de deputado foi cassado. A Alerj ainda precisa apontar um substituto para a vaga de Bacellar.
Deputados como Renata Souza (Psol), Dani Balbi (PCdoB) e Flávio Serafini (Psol) usaram as redes sociais para expressar forte descontentamento. Souza chamou o evento de "golpe" e "vergonhoso", enquanto Balbi criticou a desmarcação de última hora do colégio de líderes, impedindo articulações e resultando em uma "eleição feita a toque de caixa". Serafini acusou os adversários de "atropelar a democracia" para manter o controle financeiro e de "esquemas", prometendo lutar por uma "eleição limpa" na justiça.
Outras figuras políticas de esquerda, como o deputado federal Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) e a deputada federal Talíria Petrone (Psol-RJ), também manifestaram críticas. Vieira classificou a manobra como uma forma de "manter o controle do poder no RJ", e Petrone a descreveu como um "atropelo". Marcelo Freixo (PT), presidente da Embratur, pediu eleições diretas no estado, argumentando que a Alerj "perdeu a condição moral" após escândalos envolvendo tráfico de drogas e fraudes eleitorais.
Em contrapartida, nomes da direita comemoraram a eleição. O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes (PL-RJ), celebrou a vitória como um fortalecimento do PL e de um projeto para o Rio de Janeiro. O deputado estadual Thiago Gagliasso (PL) ironizou as críticas da oposição, afirmando que "tudo para eles é golpe". Deputados como Rafael Picciani (MDB), Alexandre Knoploch (PL) e Jorge Felippe Neto (Avante) também publicaram fotos celebrando a posse de Ruas. O ex-governador Cláudio Castro, condenado pelo TSE, parabenizou os deputados pela "melhor escolha para o Rio de Janeiro", expressando confiança em uma gestão pautada pelo "diálogo, equilíbrio e compromisso com a população fluminense".