O Banco Central (BC) manteve a previsão de crescimento de 1,6% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. O relatório divulgado nesta quinta-feira (26) destaca, contudo, que a projeção está sujeita a maior incerteza devido aos conflitos no Oriente Médio.
O BC alertou que um prolongamento do conflito pode gerar um choque negativo de oferta, elevando a inflação e reduzindo o crescimento. Setores como o petrolífero, no entanto, podem se beneficiar.
A autarquia também sinalizou que a interrupção na distribuição de mercadorias e a redução da capacidade de produção na região podem ter impactos duradouros e significativos nos preços e na atividade econômica.
A estabilidade da projeção anual do PIB deve-se ao resultado do quarto trimestre de 2025, próximo ao esperado, e à perspectiva de expansão trimestral moderada ao longo de 2026. Esse cenário considera uma política monetária restritiva, baixo nível de ociosidade dos fatores de produção, desaceleração da economia global e a ausência do impulso agropecuário de 2025.
Em 2025, o PIB do Brasil fechou em 2,3%, impulsionado principalmente pela agropecuária. Para 2026, o BC incorpora os efeitos de medidas como o aumento real do salário mínimo e a isenção ou desconto do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil ou R$ 7 mil, que podem sustentar a demanda doméstica.
O mercado de trabalho segue aquecido, com queda no desemprego e aumento nos salários. A taxa básica de juros (Selic), após sete altas consecutivas, foi reduzida para 14,75% ao ano. Contudo, o BC não descarta rever o ciclo de baixa diante das incertezas globais.
A inflação deve subir até o fim de 2026, ficando acima da meta de 3%, com probabilidade de estourar o teto de 4,5% subindo de 23% para 30%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano em 3,6%, pressionado pelo aumento dos preços do petróleo.
A projeção para o crescimento do crédito em 2026 aumentou de 8,6% para 9%, puxado pelo crédito livre a pessoas físicas e direcionado a pessoas jurídicas. Apesar do aumento, a projeção indica desaceleração do crédito pelo segundo ano consecutivo.
O déficit em transações correntes em 2026 foi reduzido para US$ 58 bilhões, devido à melhora na projeção do saldo comercial. O cenário externo é influenciado pelos conflitos no Oriente Médio, que elevam os riscos para o comércio internacional e as cadeias de produção.
Fonte: Agência Brasil