As deputadas federais Duda Salabert (PDT-MG) e Erika Hilton tiveram suas fotografias incluídas em um álbum de suspeitos utilizado em uma delegacia de Pernambuco. O caso veio à tona após a deputada Duda Salabert ser alertada pela Defensoria Pública de Pernambuco.
O álbum foi empregado em um inquérito que apurava o roubo de um celular no bairro da Boa Vista, em Recife. O crime ocorreu em 24 de fevereiro de 2025, e o procedimento de reconhecimento fotográfico, que incluiu as imagens das parlamentares, foi realizado em 8 de abril.
Em ofício enviado ao gabinete de Salabert, a Defensoria Pública de Pernambuco apontou que a única justificativa para a inclusão das fotos seria o fato de ambas serem mulheres negras e trans. O órgão solicitou à Justiça que considere o reconhecimento fotográfico inválido devido ao uso indevido das imagens.
A deputada Duda Salabert expressou seu espanto em um ofício enviado ao secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro de Mattos. Ela classificou o episódio como um ato de transfobia institucional, que reforça estigmas ao associar indevidamente imagens de mulheres trans à criminalidade.
Salabert também ressaltou a ausência de semelhança física entre ela e Erika Hilton, o que, segundo a deputada, evidencia a fragilidade dos critérios usados na elaboração do álbum. A parlamentar exigiu esclarecimentos sobre os critérios de composição do material, a retirada imediata das fotos do banco de dados e a identificação dos responsáveis pela elaboração do álbum.