Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consideram que a recusa do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), em ser vice na chapa presidencial representou um erro de cálculo político. Segundo interlocutores, a decisão abre espaço para um cenário mais favorável ao entorno do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, com a possibilidade de candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) ao Planalto. A avaliação é que Caiado, com um perfil mais combativo, poderia beneficiar Bolsonaro em uma disputa contra o presidente Lula (PT).
A recusa de Ratinho Jr. em compor como vice teria sido uma resposta à proposta feita pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio. A tentativa visava atrair o apoio do PSD no Paraná. Com a negativa, o PL reposicionou sua estratégia no estado e anunciou apoio à candidatura de Sergio Moro (União Brasil) ao governo paranaense. Moro se filiará ao PL nesta terça-feira, em Brasília.
Enquanto o PSD ainda anunciará oficialmente seu pré-candidato, a disputa interna está entre Caiado e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Aliados de Flávio acreditam que a desistência de Ratinho Jr. fortalece a candidatura de Caiado, aumentando as chances de apoio do PSD ao PL em um eventual segundo turno.
Na segunda-feira, Moro se reuniu com Marinho para alinhar os detalhes da filiação ao PL. A reunião ocorreu paralelamente ao anúncio de Ratinho Jr. de que permaneceria no cargo de governador do Paraná, cumprindo mandato. Em nota, Ratinho Jr. afirmou que a decisão foi tomada após reflexão familiar e visa manter o compromisso com os paranaenses. Ele deve focar em articulações estaduais para definir um sucessor, com o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), sendo o nome mais cotado.