O procurador-geral de Justiça do Maranhão, Danilo José de Castro Ferreira, pediu o afastamento liminar do vice-governador do estado, Felipe Camarão (PT). A solicitação, enviada ao Tribunal de Justiça do Maranhão, aponta suposta ligação do vice-governador com um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 6,3 milhões em espécie e R$ 4,7 milhões em imóveis de luxo.
Segundo o procurador, Camarão teria se beneficiado de uma rede de "laranjas", incluindo parentes e policiais militares de sua segurança, para ocultar transferências milionárias via Pix. Ferreira argumenta que a origem dos recursos é incompatível com a renda declarada do vice-governador.
Felipe Camarão reagiu às acusações pelas redes sociais, classificando o vazamento da investigação como "criminoso" e com "objetivo eleitoreiro". Ele nega ter conhecimento da investigação e alega "perseguição política travestida de atuação institucional". O vice-governador também questionou a proximidade entre o procurador-geral e o irmão do governador, Marcus Brandão, e anunciou medidas judiciais para investigar um possível "aparelhamento" da Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ).
O pedido de afastamento ocorre em meio a intensos atritos políticos no Maranhão. A disputa envolve a ala ligada ao governador Carlos Brandão (sem partido) e aliados do ministro do STF Flávio Dino, ex-governador. Camarão, próximo a Dino, disputa o apoio do presidente Lula à sua candidatura ao governo estadual, contra o sobrinho de Brandão, Orleans Brandão (MDB). Camarão acusa Carlos Brandão de descumprir acordo com o PT Nacional em favor de interesses familiares.