A possível classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode representar um grave risco à soberania do Brasil, alertou Lincoln Gakiya, promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo. Investigador do crime organizado há mais de 20 anos, Gakiya argumenta que a medida poderia abrir brechas para intervenções militares e sanções econômicas americanas em território nacional.
Em entrevista à Rádio Nacional, Gakiya explicou que a definição de terrorismo, segundo a ONU, exige motivação ideológica, característica ausente em organizações como o PCC e o Comando Vermelho. Ele defende que estas sejam classificadas como organizações criminosas do tipo mafioso, com atuação transnacional e infiltração em estruturas estatais.
A mudança de status jurídico das facções, segundo o promotor, levaria o governo dos EUA a tratar a segurança pública brasileira sob uma ótica militar e de segurança nacional. Isso poderia resultar em ações militares semelhantes às vistas na Venezuela e severas sanções econômicas, afetando empresas multinacionais com sede no Brasil. Além disso, o sigilo de informações compartilhadas entre órgãos de segurança dos dois países seria alterado, prejudicando investigações conjuntas.
Gakiya criticou a visão de que a classificação como terrorista endureceria a situação dos criminosos, afirmando que, pelo contrário, fecharia canais de cooperação policial, como os existentes com o FBI e o DEA.