Associações de defesa da liberdade de imprensa criticaram a operação da Polícia Federal (PF) que cumpriu busca e apreensão contra o blogueiro maranhense Luís Pablo, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O blogueiro é acusado de perseguição contra o ministro Flávio Dino.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgaram nota conjunta expressando preocupação com a medida. As entidades defenderam a decisão ser revista, ressaltando que a atividade jornalística possui proteção constitucional.
"A atividade jornalística, independentemente do veículo e de sua linha editorial, conta com a proteção constitucional do sigilo da fonte. Qualquer medida que eventualmente viole tal garantia deve ser entendida como um ataque ao livre exercício do jornalismo", afirmaram as associações.
A operação policial ocorreu na terça-feira (10) na residência do blogueiro em São Luís, onde computadores e celulares foram apreendidos. A investigação aponta que o blogueiro teria monitorado os deslocamentos do carro oficial de Dino e seus familiares para publicar reportagens sobre o suposto uso irregular do veículo.
O pedido de investigação partiu da PF com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O caso foi inicialmente enviado ao ministro Cristiano Zanin, que pediu a redistribuição para Alexandre de Moraes.
O STF informou que a segurança de Flávio Dino alertou sobre o monitoramento, que incluiu a identificação das placas dos carros e detalhes da equipe de segurança. Os seguranças encaminharam o caso à PF. A Corte ressaltou que o caso não tem relação com o inquérito das fake news.
Em nota, a defesa de Luís Pablo afirmou que aguarda acesso ao processo para compreender os fundamentos da decisão e reafirmou o compromisso com o jornalismo responsável e a liberdade de imprensa.
Fonte: Agência Brasil