Breno Chaves Pinto, empresário do setor de obras e piloto de motovelocidade, é o segundo suplente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Aos 38 anos, o nome de Pinto está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de fraude em licitações e desvio de R$ 60 milhões em contratos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Amapá.
Pinto, que declarou patrimônio de R$ 8,5 milhões em 2022, estreou na política como suplente de Alcolumbre. A investigação policial aponta que o empresário, natural de Imperatriz (MA), pode ter liderado um esquema para fraudar licitações e direcionar contratos públicos para empresas específicas.
Segundo a PF, o empresário teria usado sua proximidade política para influenciar decisões administrativas no Dnit, configurando tráfico de influência. A investigação também monitorou movimentações financeiras atípicas, incluindo saques de R$ 350 mil em espécie em uma única ocasião. O dinheiro, segundo a defesa, seria para pagamento de funcionários.
O inquérito identificou retiradas em dinheiro que ultrapassam R$ 3 milhões, próximas ao recebimento de valores de contratos públicos, o que pode indicar ocultação de origem. A defesa de Pinto sustenta que os saques eram lícitos e destinados a despesas de suas empresas.
Davi Alcolumbre declarou não ter relação com a atuação empresarial de seu segundo suplente. O presidente do Senado também foi alvo de uma operação da PF em 2022 por suspeitas de superfaturamento em obras rodoviárias, com apreensão de R$ 800 mil em dinheiro.
O Dnit afirmou colaborar com a investigação e que suas instâncias de integridade apuram os fatos para adoção de medidas administrativas. A Controladoria-Geral da União (CGU) também aponta indícios de irregularidades na execução de obras, como atrasos e desvios de recursos.