A demissão de Filipe Luís abalou a estrutura do Flamengo e expôs o diretor de futebol José Boto. O dirigente português, antes próximo do ex-treinador, participou da articulação para a contratação de Leonardo Jardim. A expectativa era de fortalecimento, mas recentes declarações de Boto ao elenco jogaram luz sobre uma situação deteriorada.
Na última terça-feira, Boto dirigiu um discurso de cobrança aos jogadores após a despedida de Filipe Luís. Ele dividiu responsabilidades e acusou parte do elenco de abusar da liberdade dada pelo antigo técnico. "Alguns de vocês não souberam respeitar a liderança mais liberal do Filipe", afirmou, segundo o blog de Diogo Dantas.
As declarações não foram bem recebidas, especialmente pela forma como a saída de Filipe Luís foi conduzida. Boto apoiou a contratação de Jardim sem o conhecimento prévio do então treinador. A comunicação da demissão ocorreu em menos de um minuto, após a goleada por 8 a 0 contra o Madureira.
A relação de Boto com os atletas já era distante, e a conversa piorou o cenário. Ele também ressaltou a necessidade de os jogadores corresponderem ao investimento feito pelo clube, citando Arrascaeta como exemplo de atleta que provou merecer a renovação em campo. As falas geraram mal-estar interno.
Desde sua chegada em 2025, Boto vive sua maior crise no clube. Seu cargo já foi ameaçado anteriormente, mas ele foi mantido. A gestão de futebol, que prometia profissionalismo e baseada em scouting, tem sido questionada por contratações de alto valor, impulsionadas pelo poder financeiro do clube, como as de Lucas Paquetá e Samuel Lino. A falta de um centroavante na última janela também gerou críticas.
A permanência de Boto no cargo de diretor está sob risco, e sua imagem se desgasta internamente. O sucesso de Leonardo Jardim como treinador será crucial para sua continuidade no Flamengo.