O ministro Flávio Dino, do STF, determinou o afastamento do prefeito de Macapá, Dr. Furlan, e do vice, Mario Neto, por 60 dias. Eles são investigados por suspeita de desviar verbas federais destinadas à construção do Hospital Geral Municipal. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em Macapá, Belém e Natal na segunda fase da Operação Paroxismo.
Dino justificou o afastamento para evitar que os investigados acessem documentos e manipulem provas. Ele também alertou para o risco de novos crimes em processos licitatórios.
A PF apontou indícios de fraude na licitação da obra, vencida pela empresa Santa Rita Engenharia Ltda. por R$ 70 bilhões. A proposta da empresa era similar ao orçamento da prefeitura, sugerindo acesso prévio a informações privilegiadas.
Após a assinatura do contrato, sócios da empresa realizaram saques vultosos em espécie. Rodrigo Moreira sacou R$ 7,4 milhões e Fabrizio Gonçalves, R$ 2,4 milhões. A PF suspeita que os recursos não foram usados na obra e que parte do dinheiro foi transportada em veículos de Furlan, além de transferências para pessoas próximas ao prefeito.
A decisão também determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal de 10 pessoas e 3 empresas. A secretária de Saúde, Erica Aranha de Sousa Aymoré, e o presidente da Comissão de Licitação, Walmiglisson Ribeiro da Silva, também foram afastados.
Flávio Dino ainda determinou que o caso tramitasse no STF devido à conexão com outra investigação sobre "emendas pix" de políticos amapaenses, que somam mais de R$ 120 milhões.