A rotina de atletas e profissionais do futebol no Oriente Médio foi drasticamente alterada pela escalada de tensão na região. Treinar sob o som de explosões e ver mísseis cruzando o céu tornaram-se realidade para quem se transferiu para países do Golfo Pérsico em busca de oportunidades em ligas impulsionadas pelo dinheiro do petróleo.
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã impactou diretamente o cenário esportivo. A Federação Iraniana de Futebol já anunciou a paralisação de todas as competições no país. No Catar, país que sedia a Finalíssima entre Espanha e Argentina em 27 de março, a federação local também suspendeu todos os jogos, sem previsão de retorno.
O técnico português Artur Jorge, ex-Botafogo e atualmente no comando do Al-Rayyan, do Catar, relatou a preocupação com a situação. "Vivemos momentos de alguma tensão com o início do conflito. Ainda que seguindo o protocolo do Estado e resguardado em casa, tem sido possível durante todo o dia e noite ver bem de perto o rebentamento dos mísseis no céu de Doha. Temos alertas constantes no telefone quando o risco de ataque é maior. A situação preocupa, mas o momento é de manter a serenidade e garantir a segurança", disse.
Nos Emirados Árabes, as consequências foram menos severas, com a suspensão de atividades para categorias inferiores a 18 anos. No entanto, jogos da Champions League asiática envolvendo equipes locais foram adiados.
Marcelo Cardoso, preparador físico do Sharjah FC, descreveu o cotidiano: "É o dia inteiro. Ouvimos explosões de manhã, à tarde e à noite. Algumas vezes dá para ver, porque os mísseis deixam um traçado no céu. Tanto os de ataque quanto os que fazem o escudo de defesa. Às vezes dá para ver o choque no ar. E as paredes chegam a chacoalhar." Ele acrescentou que, apesar da eficiência do sistema de defesa aérea, "o barulho é muito grande" e que a população é orientada a evitar sair de casa sem necessidade.
Apesar da proteção oferecida pelos sistemas de defesa, a incerteza e o barulho constante geram apreensão entre os brasileiros que atuam na região. A escalada no Oriente Médio, que já derrubou bolsas asiáticas e impulsionou o petróleo, também afeta o mercado financeiro brasileiro.