Juiz de Fora, MG - Em meio à comoção pelas fortes chuvas que assolaram a Zona da Mata mineira, o ministro das Cidades, Jader Filho (MDB), dirigiu críticas contundentes ao governador Romeu Zema (Novo) neste sábado (28/02/2026). Durante pronunciamento oficial ao lado do presidente Luiz Inácio Lula e do senador Rodrigo Pacheco (PSD), Jader Filho acusou o governo estadual de executar apenas 4,1% dos R$ 3,5 bilhões destinados à prevenção de enchentes em Minas Gerais. Segundo o ministro, os recursos federais pactuados com estados e municípios somam R$ 32 bilhões, mas em Minas, os projetos de contenção e macrodrenagem, criados em 2012, teriam recebido apenas R$ 9,1 milhão dos R$ 230 milhões previstos. O Corpo de Bombeiros informou que o número de mortos na região já subiu para 70.
O presidente Lula anunciou que o governo federal poderá adquirir imóveis prontos para famílias desabrigadas, utilizando um mecanismo similar ao aplicado após a tragédia no Rio Grande do Sul. Pessoas que perderam suas casas poderão escolher uma residência em qualquer cidade mineira, e o governo federal arcará com a compra, caso não haja terrenos seguros disponíveis.
Reportagem do O GLOBO revelou nesta quarta-feira (26/02) uma queda drástica nos investimentos do governo de Minas em infraestrutura para combate aos efeitos das chuvas. Despesas que somavam cerca de R$ 135 milhões em 2023 caíram para R$ 6 milhões em 2025, segundo dados do Portal da Transparência. A administração estadual argumentou que a gestão dos gastos envolve múltiplos órgãos e que, desde 2022, foram investidos mais de R$ 170 milhões em prevenção e resposta a desastres. Em 2023, foram destinados R$ 134,8 milhões para o segmento, valor que caiu para R$ 41,1 milhões em 2024 e R$ 5,8 milhões em 2025. Nos dois primeiros meses de 2026, apenas R$ 16.100 foram destinados.
Em resposta à crise, o vice-governador Mateus Simões (PSD) anunciou a destinação de R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá. Zema afirmou que equipes de engenharia e técnicos da Copasa seriam enviados às cidades, e que esforços máximos estariam sendo feitos para salvar vítimas.