A decisão do presidente Donald Trump de atacar o Irã eleva os riscos para o fornecimento global de petróleo. O Irã, quarto maior produtor da Opep, produz cerca de 3,3 milhões de barris diários, mas sua influência se estende muito além da sua produção.
O país controla um lado do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo bruto mundial. Apesar de aberto, o estreito já registra o desvio de navios e o acúmulo de embarcações, segundo dados da Bloomberg.
Os mercados de petróleo operavam fechados no fim de semana, sem informações sobre o impacto dos ataques e possíveis retaliações iranianas em ativos de energia.
Produção Iraniana sob Pressão: Apesar das sanções, o Irã elevou sua produção para 3,3 milhões de barris/dia, desviando 90% das exportações para a China. As principais instalações, como os campos de Ahvaz e Marun e a refinaria de Abadan, além do terminal logístico na Ilha de Kharg, podem ser alvos.
Explosões na Ilha de Kharg foram reportadas, mas sem detalhes sobre o terminal de petróleo. A ilha é crucial para exportações, com capacidade para dezenas de milhões de barris. O Irã utiliza uma frota de petroleiros envelhecidos, muitos com transponders desativados, para contornar sanções.
No início do mês, o Irã encheu petroleiros na Ilha de Kharg, possivelmente para escoar o máximo de petróleo antes de um possível ataque, repetindo uma tática de junho passado.
Ataques à Ilha de Kharg seriam um golpe devastador para a economia iraniana. Instalações de gás natural em Assaluyeh e Bandar Abbas, importantes para exportação de condensado, também estão na região.
Perigos Regionais e o Estreito de Ormuz: O Irã alertou sobre uma "guerra regional" em caso de ataque e considera o fechamento do Estreito de Ormuz, um gargalo para exportações de petróleo e gás. O Catar, grande exportador de GNL, também depende da passagem.
Navios de gás para e do Catar interromperam viagens após ataques recentes. Embora Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos tenham rotas alternativas por oleodutos, o fechamento do estreito causaria interrupções massivas e alta nos preços.
Arábia Saudita e outros produtores do Golfo aceleraram embarques em fevereiro. A Arábia Saudita atingiu 7,3 milhões de barris/dia nos primeiros 24 dias do mês. Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos devem aumentar exportações em quase 600 mil barris/dia.
O Irã já realizou retaliações no passado, como o ataque à refinaria de Abqaiq, na Arábia Saudita, em 2019. Observadores consideram mais prováveis ações de menor impacto, como assédio a embarcações ou uso de minas marítimas.
Reações do Mercado: A guerra em junho de 2023 elevou o Brent acima de US$ 80, mas os ganhos foram temporários. Preocupações com excesso de oferta dominaram o mercado desde então.
Apesar disso, os preços subiram 19% este ano, impulsionados pelo temor de ataques ao Irã. Com os mercados fechados, a reação imediata é limitada, mas o West Texas Intermediate já precificava alta de até 12%.