A Polícia Federal (PF) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não conseguiu realizar a perícia de 945 vídeos da Operação Contenção, deflagrada em outubro de 2025 contra o Comando Vermelho. A corporação alega que os arquivos, enviados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, foram disponibilizados apenas em nuvem, o que inviabilizou o acesso para análise técnica.
A Operação Contenção resultou em 122 mortos, com corpos encontrados em área de mata e em vias públicas. Famílias e agentes comunitários denunciaram sinais de execução.
Os vídeos, provenientes das câmeras corporais de policiais civis, foram solicitados pelo ministro Alexandre de Moraes, no âmbito da ADPF das Favelas. O procedimento busca impor limites à atuação policial em comunidades e determinar a preservação de cenas de crimes. Apesar da determinação do STF para preservação do material, a Polícia Civil disponibilizou apenas o acesso à reprodução direta dos vídeos, sem a opção de download.
O diretor-geral substituto da PF, William Marcel Murad, afirmou em ofício ao STF que o impedimento do download impossibilitou a extração dos arquivos. Ele solicitou o acesso ao material em mídia física.
A Polícia Civil admitiu que menos da metade dos agentes utilizou as câmeras corporais durante a operação devido a falhas técnicas. A corporação não comentou o ofício da PF nem informou quando disponibilizará o material.
Investigações do Ministério Público Federal e da Defensoria Pública da União questionam o cumprimento das regras da ADPF. Seis policiais foram denunciados à Auditoria de Justiça Militar por crimes como peculato, violação de domicílio e roubo, após supostamente arrombarem casas, constrangerem moradores e ocultarem câmeras corporais.