O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende pedir ao colega americano, Donald Trump, a extradição do empresário Ricardo Magro, dono da Refinaria de Manguinhos (Refit). A informação foi divulgada por integrantes do governo brasileiro. O pedido ocorrerá em encontro na Casa Branca no próximo mês. Magro é acusado pela Polícia Federal de dever R$ 26 bilhões em impostos sonegados. Lula tem usado o caso para reforçar a imagem de seu governo no combate ao crime organizado.
Em setembro do ano passado, a PF realizou uma operação que interditou atividades da Refit e apreendeu 250 milhões de litros de gasolina. Lula já mencionou o caso publicamente, afirmando ter enviado a Trump a fotografia da casa de Magro em Miami e solicitado sua prisão. "Se ele quiser enfrentar o crime organizado, nós estamos à disposição. E mandei para ele... a proposta do que nós queremos fazer", declarou o presidente em dezembro, após conversa telefônica com Trump.
A estratégia do governo é associar o terceiro mandato de Lula ao cerco a criminosos com poder econômico e à desarticulação de organizações criminosas. Paralelamente, o Planalto busca avançar com propostas como o PL Antifacção e a PEC da Segurança Pública, visando responder às críticas de leniência com o crime.
Em nota, Ricardo Magro e a Refit negam as acusações. Afirmam que a ofensiva é resultado de uma "campanha difamatória" orquestrada por grandes empresas do setor de combustíveis e que a empresa "declara integralmente suas receitas e emite regularmente notas fiscais". A Refit refuta "de forma categórica qualquer acusação de sonegação fiscal".
Além da cooperação em segurança, a pauta da conversa entre Lula e Trump deve incluir a questão das tarifas sobre produtos brasileiros, acesso a minerais estratégicos, iniciativas multilaterais, a situação na Venezuela e as sanções contra Cuba.