A Acadêmicos de Niterói homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu desfile de carnaval, mas a celebração gerou controvérsia e debates acirrados nas redes sociais e nos tribunais. Diante do risco de judicialização por propaganda eleitoral antecipada, o Partido dos Trabalhadores (PT) publicou uma cartilha com orientações para seus filiados, recomendando a evitação de termos como "Lula 2026" e pedidos de voto. A estratégia, contudo, não impediu a oposição de dominar as discussões online, com críticas ao uso de dinheiro público na celebração.
Levantamento da consultoria Bites, a pedido do GLOBO, mostrou que, embora os apoiadores do PT tenham evitado menções diretas a campanhas eleitorais, a oposição concentrou ataques na figura de Jair Bolsonaro e questionou o financiamento público do desfile. A direita percebeu uma "inércia da Justiça Eleitoral" e comparou a situação com a que, segundo eles, levaria a punições severas caso Bolsonaro fosse o homenageado.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia rejeitado, por unanimidade, pedidos para impedir o desfile, considerando que a proibição configuraria censura prévia, mas ressaltou a possibilidade de punições futuras. Senadores e partidos de oposição, como Flávio Bolsonaro (PL) e o Novo, anunciaram ações no TSE contra o PT e o presidente Lula, alegando abuso de poder político e econômico e propaganda eleitoral antecipada com recursos públicos.
O desfile também foi criticado por outros parlamentares, como Sergio Moro (União) e Damares Alves (Republicanos), que o classificaram como "deprimente espetáculo de abuso de poder" e "desfile de crime", respectivamente. Damares Alves também apontou críticas ao desfile que "ridiculariza a igreja evangélica e o agronegócio".
Enquanto a oposição focava nas críticas, a base do governo buscou contraponto ao pautar o tema "sem anistia" aos presos do 8 de janeiro. A repercussão dessa frente, segundo a Bites, ajudou a diminuir o tom predominantemente negativo em relação a Lula. O próprio presidente Lula acompanhou os desfiles em um camarote, ao lado de aliados e ministros, mas evitou declarações oficiais sobre a homenagem, seguindo orientação da Advocacia-Geral da União (AGU).