O governo ucraniano classificou como um "momento de vergonha" a desclassificação do piloto de skeleton Vladislav Heraskevich dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina. A decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) ocorreu após o atleta se recusar a competir sem um capacete que exibia fotos de esportistas ucranianos mortos na guerra contra a Rússia.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, declarou nas redes sociais que o COI "vetou não apenas o atleta ucraniano, mas também a sua própria reputação".
Segundo o COI, Heraskevich "não poderá participar" dos Jogos após "se recusar a cumprir as diretrizes do COI sobre a expressão dos atletas". O comitê havia proposto ao ucraniano o uso de uma braçadeira preta como alternativa ao capacete, mas o atleta recusou.
"Esta manhã, ao chegar às instalações da competição, Heraskevich se reuniu com a presidente do COI, Kirsty Coventry, que lhe explicou pela última vez a posição do COI. Como nas reuniões anteriores, ele se recusou a mudar a sua", argumentou a entidade olímpica.
A Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton (IBSF) considerou o capacete em desacordo com o regulamento. Em mensagem no X, Heraskevich afirmou: "Este é o preço da nossa dignidade".
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, manifestou apoio ao atleta, chamando a decisão do COI de "traição" e exaltando a iniciativa de Heraskevych em homenagear atletas como o patinador Dmytro Sharpar e o biatleta Yevhen Malyshev, mortos em combate.
Heraskevych anunciou que recorrerá formalmente da decisão. Fonte: O Globo