O governo brasileiro intensificou negociações com a China para reverter as salvaguardas impostas à carne bovina, que entraram em vigor em janeiro e limitam o acesso do produto brasileiro ao mercado chinês. O tema será discutido no Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), composto por dez ministros.
A China aplicou uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que excederem cotas anuais. Para o Brasil, o limite em 2026 é de 1,1 milhão de toneladas. O volume que ultrapassar essa marca fica sujeito à sobretaxa, afetando a competitividade.
Apesar da restrição, as exportações de carne bovina congelada para a China cresceram 44,8% em receita em janeiro, comparado ao mesmo mês de 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O vice-presidente Geraldo Alckmin já expressou preocupação com as salvaguardas em conversa com o vice-presidente chinês, Han Zheng. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) alertou para o risco de desorganização do mercado, queda de preços e impactos no emprego caso não haja coordenação.
Entre as alternativas, caso as negociações não avancem, o Brasil pode tentar assumir cotas de outros países que não as utilizem integralmente, como os Estados Unidos, para manter o fluxo de exportações sem a sobretaxa.