A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro reiterou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de prisão domiciliar, alegando graves problemas de saúde que demandam cuidados médicos contínuos e complexos. Em petição apresentada nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, os advogados argumentam que o quadro de multimorbidade de Bolsonaro, com doenças crônicas e risco de descompensação, é incompatível com o ambiente prisional.
A defesa cita laudos médicos e perícia da Polícia Federal (PF) para sustentar que, apesar de não haver necessidade de internação hospitalar imediata, o ex-presidente apresenta um histórico de diversas condições de saúde, incluindo doenças cardiovasculares, respiratórias, gastrointestinais, metabólicas e neurológicas, além de quedas recentes. A PF, em laudo divulgado na semana passada, concluiu que Bolsonaro não necessita de cuidados hospitalares e pode permanecer no Complexo da Papuda, mas a defesa contesta essa avaliação.
Para reforçar o pedido, os advogados compararam o caso de Bolsonaro com o do ex-presidente Fernando Collor, que cumpre pena em regime domiciliar. Eles argumentam que, assim como no caso de Collor, a gravidade do quadro clínico, a idade avançada e a necessidade de tratamento especializado justificam a concessão da prisão domiciliar humanitária.
O pedido ocorre em meio a uma série de movimentações políticas em Brasília. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reuniu-se nesta quarta-feira com ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, para discutir a renegociação das dívidas do estado com a União. Tarcísio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro já haviam buscado, no mês anterior, interlocução com ministros para defender a prisão domiciliar de Bolsonaro.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado e está detido na unidade conhecida como Papudinha desde 15 de janeiro. A defesa busca reverter a decisão, enfatizando a necessidade de um ambiente mais adequado para o tratamento de sua saúde.