Menos de seis meses após se casarem, a brasileira Nicole Silveira e a belga Kim Meylemans vão se enfrentar no skeleton dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Cortina d'Ampezzo, na Itália. A prova feminina começa em 13 de fevereiro, com final no dia 14.
As duas oficializaram a união em agosto, em uma cerimônia civil em Calgary, no Canadá, onde vivem quando não estão viajando para competir. Nicole tem 31 anos, é ex-fisiculturista e trabalha como enfermeira durante parte do ano. Kim tem 29, nasceu na Alemanha e defende a Bélgica; ela se mudou para Calgary para morar com a parceira.
O relacionamento começou durante a pandemia de Covid-19, quando ambas ficaram no mesmo hotel e passaram a conversar. Hoje, elas dividem a rotina fora das pistas e, ao mesmo tempo, competem uma contra a outra no circuito internacional.
O treinador Fernando Oliva, que acompanha Kim há cerca de uma década, disse à AFP que a convivência muda a forma como as atletas lidam com a disputa. "Elas são um casal de mulheres e, ao mesmo tempo, competem entre si, o que torna tudo ainda mais especial", afirmou. "O mais importante é que eles demonstrem que, acima de tudo, são pessoas, e não rivais no esporte", completou.
Em 2023, Kim e Nicole criaram a "Equipe BB" (Bélgica e Brasil) para reduzir custos e manter uma estrutura comum de apoio. A equipe funciona com três profissionais compartilhados: treinador, preparador físico e fisioterapeuta. Segundo Oliva, a escolha foi motivada pela falta de recursos e de tradição do skeleton nos dois países, o que limita receitas e patrocínios.
Kim chega aos Jogos com títulos europeus em 2024 e 2026, conquistado no mês passado em St. Moritz. Nicole, em 2024, virou a primeira brasileira a subir ao pódio em uma etapa da Copa do Mundo da modalidade.
Em Olimpíadas, Kim foi 14ª em Pyeongchang 2018 e 18ª em Pequim 2022, após ficar isolada antes da prova por um teste positivo de Covid. Nicole estreou em 2022 e terminou em 13º lugar.
Nicolle afirmou, em entrevista ao Comitê Olímpico Brasileiro, que a convivência entre equipes diferentes em 2022 trouxe limites para a troca de informações. "Foi difícil nos Jogos de 2022. Já estávamos juntas, mas ainda em equipes diferentes, então não sabíamos o que era segredo e não dava para contar para a rival", disse. Ela será porta-bandeira do Brasil na parte de Cortina d'Ampezzo da cerimônia de abertura.
Oliva afirmou que o foco do casal está no resultado. "Nem viemos à Itália para curtir a experiência. Viemos para terminar o mais alto possível, para ganhar medalhas, custe o que custar", disse. Ele acrescentou que o tema é tratado com cautela na preparação mental.
Kim também usou as redes sociais para associar a presença do casal na Olimpíada a uma mensagem política. Em postagem no Instagram após o casamento, ela escreveu que, com os Jogos na Itália e decisões do governo liderado pela primeira-ministra Giorgia Meloni que, segundo ela, prejudicam a comunidade LGBTQ+, competir como um casal dá visibilidade à defesa da igualdade no casamento.
Fonte: O Globo