O mercado de trabalho brasileiro tem capacidade para absorver a redução da jornada semanal para 40 horas, com custos similares aos de reajustes históricos do salário mínimo. A conclusão é de estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado nesta terça-feira (10). A pesquisa analisou os impactos econômicos da diminuição da jornada atual de 44 horas, associada à escala 6x1, que prevê um dia de descanso a cada seis dias trabalhados.
O estudo indica que a redução da jornada custaria menos de 1% em grandes setores como indústria e comércio. Para alguns serviços que demandam mais mão de obra, como vigilância e limpeza, o impacto no custo operacional pode chegar a 6,5%, exigindo políticas públicas e transição gradual.
Segundo o Ipea, a redução da jornada pode diminuir desigualdades. Trabalhadores com jornadas de 44 horas semanais, que são a maioria e recebem em média menos da metade que os que trabalham até 40 horas, também possuem menor escolaridade. A jornada de 40 horas pode aproximar as condições desses trabalhadores às de profissionais com melhores salários e mais escolaridade.
A pesquisa também destaca que empresas de menor porte enfrentam desafios maiores na adaptação da jornada. Trabalhadores em empresas com até nove funcionários são os que mais cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais.
A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 estão em pauta política. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, sinalizou que a votação pode ocorrer em maio. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluiu o tema entre as prioridades do governo para o semestre.