O Brasil se despediu de Raul Jungmann, ex-deputado federal e ministro, que faleceu no último domingo, 18 de janeiro de 2026, aos 73 anos, após batalhar contra um câncer no pâncreas. O velório foi realizado em uma cerimônia restrita a familiares e amigos no cemitério Campo da Esperança, em Brasília.
Últimos momentos e legado
Raul Jungmann foi internado em novembro de 2025 e, embora tenha recebido alta algumas vezes, sua saúde se deteriorou rapidamente. Sua filha, Júlia Jungmann, expressou o orgulho da família pela trajetória do pai, destacando seu compromisso com a justiça social e a importância do diálogo na política. “Ele deixou um exemplo, um legado; lutou a vida inteira por um país mais justo”, afirmou Júlia, ressaltando a habilidade do pai em conversar com diversos setores da sociedade.
Uma vida de serviço público
Durante sua carreira, Jungmann ocupou importantes cargos, incluindo o de ministro em quatro pastas diferentes. Entre suas funções, destaca-se o cargo de Ministro da Segurança Pública, posto que ocupou em 2018, sendo o primeiro a assumir essa função no Brasil. Antes, foi Ministro da Defesa e ainda ocupou os Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Políticas Fundiárias durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
Seu percurso político foi marcado por uma forte militância desde a juventude, quando esteve ligado ao antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ao longo dos anos, transitar por diferentes partidos, como o MDB e o PPS, demonstra sua adaptabilidade e busca contínua por formas de contribuir com a sociedade.
Impacto e homenagens
A morte de Jungmann repercutiu amplamente entre políticos e admiradores. O ex-presidente Michel Temer expressou seu pesar, chamando-o de “brasileiro que soube servir ao país”. A memória de Jungmann será preservada, especialmente por sua capacidade de articular diálogos e construir pontes entre diferentes setores da sociedade brasileira.
Contribuições e desafios enfrentados
Durante sua trajetória, enfrentou desafios, incluindo investigações por suspeitas de corrupção durante seu período no Ministério do Desenvolvimento Agrário, questões que foram posteriormente arquivadas. Contudo, sua atuação como deputado federal foi reconhecida, principalmente por sua vice-presidência na CPI dos Sanguessugas, que investigou um esquema de corrupção na compra de ambulâncias.
Além de sua carreira política, Jungmann foi presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), onde pôde aplicar sua visão sobre sustentabilidade e desenvolvimento. Seu legado, conforme mencionado pela atual presidente do IBRAM, Ana Sanches, é fruto de sua atuação em prol da democracia e do interesse público, consolidando-se como um homem público de estatura singular.
Reflexões sobre o futuro
A mensagem de Jungmann sobre a necessidade de diálogo ressoa em um Brasil que enfrenta inúmeras dificuldades sociais e políticas. Em tempos de polarização, a família e admiradores pedem que sua luta por justiça e comunicação sejam lembradas e abraçadas por todos. “Precisamos conversar com os diferentes e, nas diferenças, achar soluções para um Brasil melhor”, declarou Júlia em seu discurso emocionante durante o velório.
Raul Jungmann deixa um vazio na política brasileira, mas também um convite à reflexão sobre a importância do diálogo, respeito e comprometimento com a diversidade e a justiça social. O ex-ministro leaves dois filhos e uma neta, que sempre estarão ao lado do legado que seu pai construiu ao longo de sua vida pública.
A comunidade e os políticos locais prestam homenagem a um homem que, através de sua vida e carreira, buscou fazer a diferença e deixou uma marca indelével na história política brasileira.













