Brasil, 12 de janeiro de 2026
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PGR se opõe a busca e bloqueio de bens de Vicentinho Júnior

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou de maneira contrária a um pedido da Polícia Federal (PF) que solicitava o bloqueio de bens e a realização de uma operação de busca e apreensão contra o deputado federal Vicentinho Júnior (PP-TO). Este posicionamento ocorre em meio a investigações da Operação Overclean, que apontou indícios de que Vicentinho Júnior teria recebido R$ 420 mil por meio de uma empresa de fachada sob nome de sua esposa, associados a um esquema de fraudes em licitações e desvios de emendas parlamentares.

Histórico da Operação Overclean

A Operação Overclean foi iniciada em dezembro de 2024 e investiga uma suposta organização criminosa liderada por José Marcos de Moura, conhecido como o “Rei do Lixo”, ligado ao partido União Brasil. Segundo a PF, o grupo manipulou a quantia de R$ 1,4 bilhão, grande parte proveniente de emendas do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS).

Após manifestar-se contra a autorização para as diligências contra o parlamentar em dezembro, o procurador-geral Paulo Gonet sustentou que, embora houvesse indícios de pagamentos irregulares e movimentações suspeitas de cerca de R$ 170 milhões em uma empresa vinculada à esposa do deputado, não foi demonstrado um ato oficial que vincule Vicentinho ao contrato de R$ 60 milhões com a Secretaria de Educação, que é o foco do inquérito.

Investigação em andamento

Os investigadores indicam que o parlamentar do PP estaria recebendo uma “mesada” de R$ 20 mil em troca de facilitar contratos suspeitos, envolvendo mesmo o valor que era movimentado por sua empresa. Tais pagamentos foram rastreados durante o curso das investigações e coincidem com registros de propinas encontradas em um jatinho fretado, onde foram apreendidos R$ 1,5 milhão em espécie.

A captação dos fundos público alcança um contrato de R$ 13,6 milhões entre a Secretaria de Educação e uma das empresas do esquema, a Larclean Saúde Ambiental Ltda, para serviços de dedetização e limpeza.

A oposição da PGR e o papel do STF

O pedido da PF para bloquear R$ 420 mil em bens de Vicentinho e sua esposa foi indeferido pelo relator do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, que acatou a visão do Ministério Público Federal. A PGR também rechaçou anteriormente um pedido de prisão de José Marcos de Moura.

Vicentinho se torna um alvo de investigações não apenas por seus recebimentos suspeitos, mas também pelo envolvimento de outros membros do governo do Tocantins no esquema, como secretários e diretores, que também foram implicados em pagamentos de propinas.

Repercussão e desdobramentos

O processo tem gerado polêmica no Congresso Nacional, intensificando a pressão sobre os envolvidos e levantando questionamentos sobre a atuação da PGR e da PF. A investigação sobre a corrupção e as fraudes em licitações destaca a implicância de uma rede complexa que opera dentro e fora das instituições governamentais.

Em um momento em que a corrupção continua a ser um tema recorrente na política brasileira, a postura da PGR em defender a não continuação das investigações contra Vicentinho Júnior levanta preocupações sobre a transparência e a responsabilidade de figuras públicas em relação ao uso indevido de recursos públicos.

Ainda assim, a investigação não parece ter um fim próximo, uma vez que a PF continua a explorar os vínculos e as transações financeiras obscuras associadas ao esquema, podendo implicar ainda mais personagens no cenário político local e nacional.

Vicentinho, procurado para comentar a situação, não se manifestou até o fechamento do artigo. O espaço segue aberto para sua resposta.

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