Os líderes católicos na Austrália expressaram forte condenação ao ataque terrorista ocorrido no domingo na celebração de Hanukkah em Bondi Beach, Sydney, que resultou na morte de 16 pessoas e dezenas de feridos. Na ocasião, uma quadrilha de atiradores abriu fogo contra participantes do evento, incluindo uma criança de 10 anos, levando a uma resposta veemente da Igreja Católica diante do clima de antissemitismo crescente no país.
Reação dos líderes religiosos e denúncia do antissemitismo
O arcebispo Anthony Fisher de Sydney emitiu uma declaração de “profunda tristeza e indignação justa” pelo episódio violento, ressaltando que a violência contra os judeus é um “mal indescritível que deve ser repudiado por todos os australianos”.
“A destruição de uma celebração do Hanukkah, com tantas vidas perdidas, horrifica a todos nós”, afirmou Fisher. Ele também destacou a existência de um ambiente de antissemitismo que, segundo ele, tem se agravado na cidade nos últimos dois anos, especialmente em manifestações próximas à catedral católica de Sydney.
Fisher revelou ainda uma conexão pessoal com o povo judeu, afirmando que sua bisavó era judia, e afirmou que “um ataque aos judeus é um ataque a todos nós”.
O presidente da Conferência dos Bispos Católicos da Austrália, arcebispo Timothy Costelloe, também condenou veementemente o episódio. “O motivo torcido dos perpetradores revela um ciclo de antissemitismo que nos faz refletir sobre nossa própria sociedade”, afirmou. Ele alertou que o ódio e o preconceito representam manchas sombrias que ameaçam toda a comunidade australiana.
Compromisso da Igreja e ações de combate ao antissemitismo
Fisher anunciou que a comunidade católica intensificará esforços para combater o antissemitismo por meio de ações educativas e de pregação. A instituição também se colocou à disposição da comunidade judaica, oferecendo suporte espiritual e psicológico diante da violência sofrida.
“Queremos garantir que nossos vizinhos judeus estejam seguros e protegidos”, declarou o arcebispo. As autoridades confirmaram que o ataque foi considerado um incidente terrorista, com dois atiradores envolvidos, um deles morto por policiais no local, e o outro, um jovem de 24 anos, em estado crítico.
Detalhes do ataque e repercussões
Segundo o policial de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, o ataque teve como autores um pai e seu filho, identificados como Sajid Akram, de 50 anos, e Naveed Akram, 24 anos. Naveed, que tinha ligação prévia com uma célula do Estado Islâmico, foi investigado há seis anos por suas conexões com grupos extremistas, conforme revelou a imprensa local.
As autoridades também encontraram explosivos improvisados em um veículo ligado aos criminosos, reforçando a gravidade do ato, que foi oficialmente declarado terrorismo. Policiais e equipes de resgate reagiram com coragem, e um cidadão que ajudou a conter um dos atiradores foi nomeado herói nacional.
Reações políticas e união contra o ódio
O primeiro-ministro Anthony Albanese condenou o ataque como um “ato de maldade” direcionado aos judeus australianos, afirmando que esta violência representa um ataque a toda a nação. Ele reforçou o compromisso do governo de proteger todas as comunidades diante de episódios que alimentam o ódio e o preconceito.
“A Austrália é uma nação que deve se unificar contra o antissemitismo e qualquer forma de extremismo,” declarou Albanese. Ele também agradeceu às forças de segurança e a um cidadão que impediu uma tragédia maior na cena do ataque.








