Goiânia – A beleza natural do Complexo do Canjica, um dos destinos mais procurados na Chapada dos Veadeiros, agora está envolta em controvérsias legais e disputas territoriais. Localizado na divisa entre Goiás e Tocantins, o complexo se tornou centro de uma disputa acirrada após a Procuradoria-Geral do Estado de Goiás (PGE-GO) alegar um erro no mapa do Exército, produzido em 1977, que deslocou indevidamente a linha que separa os dois estados.
O conflito e suas origens
Embora o Complexo do Canjica seja administrativamente atribuído a Paranã (TO), a PGE-GO ajuizou uma Ação Cível Originária (ACO) no Supremo Tribunal Federal (STF) para reivindicar que o Tocantins desocupe a área em função do que consideram uma ocupação irregular. O erro cartográfico teria surgido de uma confusão na identificação dos rios usados para determinar a divisa, resultando na carta topográfica que causou a atual disputa.
A importância do complexo turístico
O Complexo do Canjica é conhecido por suas águas cristalinas e cânions impressionantes, atraindo visitantes que buscam lazer e aventura. A disputa não é apenas judicial; ela tem implicações diretas sobre a economia local, especialmente em um momento em que a região busca o fortalecimento do setor turístico. O turismo representa uma parte significativa da economia local e é fundamental para o sustento de diversas famílias na região.
Impactos sociais e econômicos da disputa
Um aspecto preocupante revelado pela PGE-GO é o impacto da disputa nos serviços públicos e na coleta de dados demográficos. O município de Cavalcante, por exemplo, registrou uma redução de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) devido à exclusão de parte da sua população no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esses fatores criam um panorama de incertezas para os moradores, que se veem sem a definição clara de pertencimento a um estado ou outro.
As ações da Procuradoria
O procurador-geral de Goiás, Rafael Arruda, ressaltou que o governo buscou solucionar o problema administrativamente junto a órgãos como a Diretoria de Serviço Geográfico do Exército e o IBGE sem sucesso. Ele argumenta que a ocupação irregular violaria a organização político-administrativa do Brasil, além de afetar diretamente o cotidiano dos moradores da área.
Inclusão da área kalunga na disputa
Além disso, a área em questão inclui a região conhecida como “Quilombo Kalunga dos Morros”, que demanda uma atenção especial. O município de Cavalcante, segundo seu prefeito Vilmar Kalunga, deve lutar pelo reconhecimento da área como parte de Goiás, alegando que a movimentação do Tocantins foi motivada por interesses turísticos e minerários, o que acelera a urgência do tema.
A repercussão nas redes sociais
Nas mídias sociais, a questão tem gerado debates acalorados. O prefeito de Paranã, Fábio da Farmácia, tem compartilhado a importância do turismo na região, enquanto defensores de Tocantins afirmam que o Complexo do Canjica é do estado tocantinense. Um vídeo recente com a presença do deputado federal Ricardo Ayres reforça a posição de que o complexo deve pertencer ao Tocantins, evidenciando as tensões locais.
Próximos passos e implicações futuras
O STF precisará avaliar a Ação Cível Originária para que a questão do Complexo do Canjica seja esclarecida. Os próximos passos dependerão das decisões judiciais e poderão ter consequências duradouras para os habitantes da região e para a administração do turismo em ambas as unidades federativas.
Ainda está por vir uma resolução definitiva que não apenas clarifique as divisas, mas que também promova a convivência pacífica e a colaboração para o desenvolvimento sustentável em uma das regiões mais lindas do Brasil. O complexo ecoa a luta por identidade e pertencimento, temas centrais em um país tão diverso e cheio de nuances.



