A Polícia Civil da Bahia deflagrou uma operação que resultou na prisão de Poliane França Gomes, uma advogada envolvida em um esquema criminoso ligado ao tráfico de drogas. Conhecida como “Rainha do Sul”, ela é suspeita de manter relações íntimas com Leandro da Conceição Santos Fonseca, apontado como líder da facção Bonde do Maluco, enquanto ele cumpria pena em um presídio de segurança máxima.
Relação e influência no tráfico
Segundo a investigação, o relacionamento entre Poliane e Leandro começou quando ela atuava como defensora do traficante no presídio de Serrinha, localizado a cerca de três horas de Salvador. Mesmo encarcerado desde 2013, Leandro continuou a comandar a facção e, a partir de 2024, Poliane passou a desempenhar um papel essencial na estrutura criminosa.
A mudança de seu cadastro no sistema prisional, de advogada para companheira, permitiu que ela tivesse acesso a visitas íntimas, aumentando seu tempo de contato com o traficante. Fontes policiais revelaram que Poliane se tornou a principal ligação entre Leandro e os membros da facção que estavam em liberdade, coordenando a movimentação financeira do grupo e recebendo bens ilícitos, como armas e dinheiro.
Intercepção de mensagens e descobertas
As investigações se intensificaram após interceptações de mensagens. Poliane se referia a si mesma como “Rainha do Sul” ou “RS” e enviava ameaças a integrantes da facção que desobedeciam às ordens. Entre junho e agosto de 2025, ela realizou 16 visitas ao presídio, levantando suspeitas das autoridades, que monitoraram suas atividades.
Durante a operação policial que levou à sua prisão, foram detidos também outros 14 membros do Bonde do Maluco, incluindo Gabriel de Souza Fernandes, conhecido como Tonelada. Na residência de Poliane, os policiais encontraram um documento oficial que comprovava sua união estável com Leandro, além de cartas manuscritas com ordens do traficante para a organização. O material apreendido incluía joias avaliadas em mais de R$ 1 milhão, uma máquina de contar dinheiro e R$ 190 mil em espécie.
Reações e defesas
A defesa de Poliane França Gomes negou categoricamente todas as acusações, afirmando que os fatos serão esclarecidos em momento oportuno. A equipe jurídica de Leandro também se manifestou, rebatendo as alegações feitas pela polícia. A repercussão do caso tem gerado um debate intenso em torno da atuação de advogados e suas possíveis ligações com organizações criminosas.
Este caso se insere em um contexto mais amplo do combate ao tráfico de drogas no Brasil, que enfrenta desafios constantes e complexos. A situação expõe não apenas as táticas utilizadas pelo crime organizado, mas também revela as dificuldades enfrentadas por autoridades na desarticulação dessas redes e na prevenção de atividades ilícitas dentro dos presídios.
Conclusão
A prisão de Poliane França Gomes, a advogada conhecida como “Rainha do Sul”, mostra que as conexões entre o tráfico de drogas e o sistema jurídico vão além do que se imagina. As investigações continuam e as autoridades permanecem atentas às operações do Bonde do Maluco e suas ramificações em liberdade. O desenrolar desse caso poderá trazer à tona mais informações sobre a relação entre advogados e o crime organizado no Brasil, levantando questões sobre ética e responsabilidade no exercício da profissão.
O combate ao tráfico de drogas, particularmente na Bahia, permanece um tema urgente que exige a atenção de todos. A sociedade aguarda desdobramentos e solução para essa grave questão.

