Brasil, 12 de janeiro de 2026
BroadCast DO POVO. Serviço de notícias para veículos de comunicação com disponibilzação de conteúdo.
Publicidade
Publicidade

Descoberta genética aponta para causas de transtornos mentais na infância

Pesquisadores descobriram que mutações raras em um único gene podem ser responsáveis pelo aparecimento precoce de doenças mentais em crianças, o que pode transformar a forma como médicos diagnosticam e tratam transtornos psiquiátricos. O estudo analisou 235 pessoas com mutações no gene GRIN2A, revelando que certos variantes não apenas aumentam o risco de esquizofrenia e ansiedade, mas podem realmente causar essas condições através de mecanismos biológicos claros.

O que diz o estudo sobre o gene GRIN2A

As variantes nulas do GRIN2A, que desligam completamente a função do gene, aumentaram exponencialmente o risco de transtornos psicóticos em 87 vezes, transtornos de humor em 12 vezes e transtornos de ansiedade em 6 vezes em comparação com a população geral. Os sintomas apareceram na infância, com seis dos participantes do estudo desenvolvendo condições psiquiátricas isoladas sem a presença das deficiências intelectuais ou convulsões associadas a esse gene.

O artigo, publicado na Molecular Psychiatry, afirma que “GRIN2A nulo parece ser a primeira causa monogênica de transtornos mentais de início precoce e até mesmo isolados, como a esquizofrenia de início precoce.” Essa afirmação altera a perspectiva vigente de que doenças mentais são resultado de variações genéticas múltiplas e complexas.

Relação entre mutações do gene GRIN2A e doenças mentais

Dirigido por Johannes Lemke, do Centro Médico da Universidade de Leipzig, o estudo inicialmente não tinha foco em genética psiquiátrica. Os cientistas estavam avaliando pessoas que já participavam de um registro global para distúrbios relacionados ao GRIN2A, predominantemente indivíduos testados por epilepsia ou atrasos no desenvolvimento. Quando os pesquisadores questionaram os médicos sobre diagnósticos de saúde mental, um padrão começou a emergir.

Entre 121 indivíduos com mutações do GRIN2A causadoras de doenças, 25 receberam diagnósticos de transtornos mentais. Destes, 23 tinham variantes nulas, que não produzem proteína funcional. Apenas 2 de 37 pessoas com variantes de sentido trocado, que alteram a proteína mas não a eliminam, desenvolveram condições psiquiátricas.

Impacto das variantes nulas do GRIN2A

As variantes nulas do GRIN2A mostraram 87 vezes mais chances de transtornos psicóticos até os 12 anos, um dado que, embora impactante, ainda se baseia em um pequeno número de casos. Esse estudo indica que, ao contrário das concepções anteriores, a estrutura genética pode ser um indicador crítico no diagnóstico de doenças mentais.

Possibilidade de tratamento com L-serina

Quatro participantes do estudo com transtornos mentais relacionados ao GRIN2A receberam L-serina, um aminoácido, em doses de até 500 mg por quilo, diariamente, durante mais de um ano, resultando em melhorias significativas. Um dos participantes teve alucinações completamente eliminadas, enquanto outra pessoa com sintomas paranoicos viu uma redução considerável. Esses resultados levantam a possibilidade de que tratamentos direcionados possam ser eficazes para essa forma genética de doenças mentais.

A L-serina, que se converte em D-serina no cérebro, pode ajudar a ativar receptores NMDA, que são fundamentais para a sinalização cerebral. A deficiência do subunidade GluN2A pode comprometer essa função, sugerindo que o aumento da D-serina poderia beneficiar pessoas com variantes nulas do GRIN2A.

Futuro dos testes genéticos para transtornos mentais

A identificação de déficits moleculares específicos pode não só facilitar diagnósticos mais precisos, como também possibilitar tratamentos direcionados, como a suplementação de L-serina. Atualmente, os testes genéticos são rotineiros para crianças com convulsões ou atrasos no desenvolvimento, mas não são comuns quando um adolescente apresenta depressão ou psicose.

Com mais de 80% das pessoas com transtornos mentais ligados ao GRIN2A tendo também histórico de epilepsia, um dado significativo surge: os sintomas psiquiátricos costumam aparecer após a resolução das convulsões. Isso aponta para a importância da detecção precoce e do tratamento adequado.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, uma em cada oito pessoas vive com um transtorno mental. A descoberta de que algumas dessas condições podem ser explicadas geneticamente é um passo importante para melhorar a vida de indivíduos afetados.

A pesquisa não só abre novas possibilidades para diagnósticos e tratamentos, mas também destaca a necessidade de abordagem personalizada em psiquiatria, onde a genética pode desempenhar um papel fundamental no futuro dos cuidados com a saúde mental.

PUBLICIDADE

Sem título

Parece que você está enfrentando um problema de acesso ao site que você tentou visitar. Não consigo acessar conteúdo diretamente da web fora da minha

Leia mais »

Institucional

Anunciantes