Brasil, 16 de janeiro de 2026
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Bolsonaristas se sentem usados por Trump após a retirada de sanções

A recente decisão do governo Donald Trump de recuar na aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes gerou uma onda de descontentamento e frustração nos bastidores do bolsonarismo. Essa manobra é interpretada como um revés direto para o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e para a estratégia que ele articulou nos Estados Unidos. De acordo com aliados do PL, a decisão desinflou a narrativa construída pelo parlamentar e evidenciou que as movimentações norte-americanas têm se vinculado mais a interesses comerciais, do que a um alinhamento político ou ideológico com a direita brasileira.

Reação negativa entre os aliados de Bolsonaro

Em conversas reservadas, dirigentes e parlamentares do PL descrevem a situação como “péssima” e “aterradora”. Um deputado influente resumiu a sensação de frustração, afirmando: “Trump nos usou”. Esse sentimento é compartilhado por diversos membros do partido, que sentem que o ex-presidente dos Estados Unidos fez a aplicação das sanções para se apresentar como defensor da liberdade e da democracia, mas que recuou de forma abrupta, retirando a legitimidade de uma das leis mais emblemáticas da política externa americana.

Os parlamentares do PL avaliam que Trump não apenas abandonou a força da sanção, mas também deixou claro que sua agenda estava longe de estar alinhada com os interesses políticos defendidos por Eduardo Bolsonaro. O gesto do ex-presidente é visto como um indicador de que seus interesses pessoais sempre estiveram em primeiro lugar. “Depois de tanta veemência contra Alexandre de Moraes, é decepcionante”, disse o deputado Bibo Nunes (PL-RS), expressando sua indignação com a postura do governo americano.

Implicações políticas e sentimento de abandono

O recuo do governo americano é amplamente interpretado como um sinal de abandono, especialmente em um momento em que Jair Bolsonaro enfrenta sua maior fragilidade política. A prisão do ex-presidente, decretada há cerca de duas semanas, torna a decisão ainda mais significativa, pois reforça a percepção de que as alianças políticas estão longe de ser sólidas. Muitos no PL sentem que poderiam ter recebido mais apoio e que a sanção poderia ter permanecido por mais tempo, ao menos como uma demonstração de força política.

Apesar da insatisfação, líderes do partido tentaram manter um discurso moderado. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que Trump operou, de fato, sempre a partir de interesses próprios. “Ele nos deu uma grande janela de oportunidades, seremos eternamente gratos ao Donald Trump”, declarou, tentando minimizar o impacto negativo da decisão.

A resposta pública e a continuidade da luta

Publicamente, tanto Eduardo Bolsonaro quanto o influenciador Paulo Figueiredo expressaram sua indignação com a decisão, mas também agradeceram o apoio que receberam de Trump ao longo do processo. Em uma nota conjunta, eles lamentaram a retirada das sanções, mas também atribuíram parte do desfecho à incapacidade da sociedade brasileira de unir forças em prol da defesa dos interesses que consideram essenciais.

Na mesma nota, os bolsonaristas ressaltam que continuam determinados a lutar pela “libertação” do Brasil, e esperam que as iniciativas de Trump sejam bem-sucedidas na defesa dos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Essa combinação de frustração e perseverança traz à tona o dilema da direita brasileira em meio a um cenário político conturbado.

O futuro da relação Brasil-EUA

Enquanto isso, a relação entre o Brasil e os Estados Unidos permanece tensa e cheia de nuances, com a percepção de abandono permeando as discussões internas dos bolsonaristas. Com o recuo, a expectativa de que houvesse pressão internacional significativa sobre o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, foi encerrada, e os efeitos políticos dessa decisão poderão reverberar na forma como o PL e seus aliados projetam suas ações futuras.

Assim, o caso revela não apenas as dinâmicas de poder entre países, mas também os desafios enfrentados por uma ala política que buscava alinhamentos cada vez mais estreitos com uma administração americana cuja agenda tem se mostrado diversa e, por vezes, contraditória.

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