No período que vai do fim de outubro ao início de março, as praias de Nazaré, em Portugal, se tornam um verdadeiro espetáculo para os amantes do surfe. Conhecida por suas impressionantes ondas que podem ultrapassar 30 metros de altura, a região atrai surfistas de todas as partes do mundo que buscam desafiar os limites do que é possível no esporte. No entanto, essa adrenalina não vem sem riscos: para enfrentar as águas tumultuadas de Nazaré, não apenas o preparo físico é essencial, mas também um suporte eficaz de resgate está sempre à disposição.
A importância do suporte em Nazaré
Para garantir a segurança dos surfistas, pilotos de jet-ski e outros veículos aquáticos são fundamentais. Embora a intenção seja que esses profissionais ajam apenas para levar os atletas de volta à areia, a realidade pode ser bem diferente. Recentemente, o experiente surfista brasileiro Carlos Burle enfrentou dificuldades nas poderosas ondas nazarenas, ressaltando a importância de ter uma equipe de resgate treinada e pronta para agir.
Edilson Assunção, mais conhecido como Alemão de Maresias, é uma figura central nessa dinâmica. Com mais de 20 anos dedicados ao resgate aquático, Alemão é conhecido mundialmente por sua habilidade em situações extremas. Natural da cidade de Maresias, no litoral paulista, Alemão traz consigo uma vasta experiência, sendo freesurfer há três décadas e apaixonado pelo big surf que as águas de Nazaré oferecem.
O preparo para as ondas gigantes
Para se destacar em Nazaré, Alemão explica que a preparação vai muito além de apenas pegar uma prancha. “Você precisa treinar apneia, funcional, yoga e muito cardio”, diz ele. O treinamento não se limita a ambientes fechados; é crucial que os surfistas se habituem às condições adversas que o mar pode oferecer.
A técnica de tow-in, onde o surfista é rebocado por um jet-ski, é obrigatória em Nazaré, especialmente quando as ondas começam a crescer. Alemão menciona que, conforme o tamanho das ondas aumenta, mais profissionais são necessários para garantir a segurança dos surfistas. Em ondas de cinco a dez metros, um piloto é suficiente. No entanto, para ondas que ultrapassam os 20 metros, são necessários pelo menos três pilotos: um para levar o surfista ao pico e dois focados somente no resgate.
Heróis das ondas gigantes
Durante o recente acidente de Carlos Burle, o mar estava mais perigoso do que nunca. Ao enfrentar uma onda que se ergueu a mais de 20 metros, Burle se perdeu e quase desmaiou, sendo salvo por seus colegas Lucas Chumbo e Will Santana, que estavam de prontidão. Em um incidente separado, Alemão também teve a chance de resgatar Lucas Fink, um skimboarder que capotou com sua moto aquática.
Alemão reflete sobre essa sinergia entre os resgates: “Ver a conexão e o resultado do treinamento em situações como essa é muito gratificante”. Ele destaca que a disciplina e o comprometimento são fundamentais para que cada resgate seja feito com excelência, uma verdade que se consolidou especialmente após o acidente com a surfista Maya Gabeira em 2013, onde mudanças significativas na segurança e técnicas de resgate foram implementadas.
Alemão não apenas coordena as operações, mas oferece seu próprio conhecimento como socorrista, já tendo participado de diversos cursos e treinamentos especializados em salvamentos aquáticos.
A relação com a comunidade de surfistas
A conexão de Alemão com Nazaré é profunda e pessoal. Ele foi apresentado à localidade por Burle, um dos veteranos do big surf, e essa amizade o motivou a se dedicar ainda mais ao resgate na região. A recente experiência de Burle em perigo fortaleceu a determinação de Alemão em continuar sua busca pelas ondas grandes, onde cada resgate é uma nova oportunidade de salvar vidas.
“O que vale é o comprometimento que cada um tem para ajudar o próximo da melhor maneira possível”, conclui Alemão, refletindo sobre seu papel como socorrista em um dos lugares mais desafiadores do mundo para a prática do surfe. Em Nazaré, cada onda representa uma nova história, e cada herói aquático, um símbolo de coragem e dedicação.


