Brasil, 16 de janeiro de 2026
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Desigualdade e mudanças climáticas: quem mais polui e quem sofre

A crise climática revela uma profunda desigualdade na responsabilidade pelos gases de efeito estufa e na vulnerabilidade às suas consequências, aponta o mais recente relatório mundial sobre a desigualdade, elaborado pela World Inequality Lab e liderado pelo economista francês Thomas Piketty.

Quem mais polui? A responsabilidade das faixas de renda

Dados do Relatório Mundial sobre a Desigualdade 2026 mostram que o 1% mais rico do planeta responde por aproximadamente 41% das emissões relacionadas ao capital privado, enquanto os 50% mais pobres, mais afetados por eventos climáticos extremos, respondem por apenas 3% dessas emissões. Além disso, os 10% mais ricos concentram 77% das emissões globais de carbono. Esses números evidenciam uma disparidade alarmante na contribuição para o aquecimento global.

Segundo os autores do estudo, essa assimetria não se limita ao impacto ambiental, mas também às possibilidades de adaptação às mudanças climáticas. “Os maiores responsáveis ​​pelas mudanças climáticas são também os que têm maior facilidade em se adaptar”, afirma Ricardo Goméz Carrera, coordenador do relatório.

Impactos desiguais na vulnerabilidade social e ambiental

Enquanto as pessoas com maior poder de consumo emitem mais gases poluentes, elas também desfrutam de maior proteção contra as consequências, como o uso de jatos privados ou moradias em regiões mais seguras. Em contrapartida, os mais pobres, especialmente em países de baixa renda, concentram-se entre os mais vulneráveis às secas, enchentes e outros desastres climáticos.

A pesquisa reforça que a desigualdade climática é uma crise simultânea, ambiental e social, onde aqueles que menos contribuem para o problema sofrem proporcionalmente mais. Essa dinâmica reforça a necessidade de políticas globais que abordem tanto a redução de emissões quanto a justiça social.

O aumento da concentração de riqueza no mundo

Entre as revelações do estudo, destaca-se que menos de 60 mil pessoas, pertencentes ao 0,001% de maior riqueza — uma minoria que caberia dentro de um estádio de futebol — detêm o equivalente a três vezes mais recursos do que 2,8 bilhões de pessoas, o que reforça a concentração de riqueza no topo.

Além disso, o relatório aponta que o Brasil está entre os países que menos cobram impostos dos super-ricos, ficando atrás de Estados Unidos, França, Holanda e Espanha. Em 2024, 8,6 milhões de brasileiros saíram da pobreza, e a miséria também atingiu seu menor patamar desde início da série do IBGE, reforçando o enfrentamento das desigualdades econômicas no país.

A questão da desigualdade social e ambiental permanece como um desafio global. A necessidade de ações integradas que reduzam as disparidades de renda e de impacto climático é fundamental para um futuro sustentável.

Mais informações podem ser acessadas na matéria completa do O Globo.

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