Os Correios atravessam uma grave crise financeira, que vem refletindo na redução do número de encomendas transportadas e na qualidade do serviço prestado. Segundo documentos internos obtidos pelo GLOBO, a quantidade diária de entregas caiu de 1,75 milhão em janeiro para 1,46 milhão em dezembro, uma redução de 16% ao longo do ano.
Queda nas entregas e impacto na qualidade do serviço
Dados internos mostram que o indicador diário de entregas, que chegou a 1.75 milhão em janeiro, caiu para 1.46 milhão em dezembro, uma queda de 26%. Em 2022, a média diária de encomendas ultrapassava 2,2 milhões durante o período de Natal.
Além da redução no volume de encomendas, o desempenho na qualidade das entregas também apresentou deterioração. O índice de entregas dentro do prazo caiu de 98,95% em fevereiro para 68,15% em dezembro, indicando que cerca de 32% das encomendas não foram entregues no prazo na data mais recente. Enquanto isso, a média de pontualidade em dezembro foi de 76,63%, muito abaixo do índice de 97,7% registrado em janeiro.
Desafios econômicos e medidas de ajuste
O cenário financeiro difícil é agravado pelo aumento das despesas, principalmente com pessoal, que deve chegar a R$ 15,1 bilhões neste ano, representando uma alta de 2,9% em relação a 2024. A estatal projeta fechar 2025 com despesas correntes de R$ 22,9 bilhões, segundo dados de execução orçamentária.
Em resposta à crise, a direção dos Correios anunciou que não irá renovar o acordo coletivo de trabalho vigente, que vence em 15 de dezembro. O acordo, firmando benefícios como gratificação de 70% nas férias e outros incentivos, foi considerado um fator que impacta as despesas da estatal, que tenta implementar um plano de reestruturação para estabilizar suas finanças.
Medidas emergenciais e busca por recursos
Enquanto busca um empréstimo de até R$ 20 bilhões com garantia do governo federal, os Correios planejam cortar gastos através da demissão de 15 mil funcionários via plano de demissão voluntária e fechamento de mil unidades. A estatal também tenta obter um aporte emergencial do Tesouro Nacional, aprovado por decreto nesta semana, para pagar salários, despesas e fornecedores até a conclusão de uma reestruturação mais ampla.
Perspectivas e próximos passos
Analistas indicam que a crise na estatal exige mudanças estruturais profundas para garantir viabilidade financeira a longo prazo. A situação ganhou atenção do Tribunal de Contas da União (TCU), que abriu processos de fiscalização sobre o quadro financeiro de várias estatais em crise.
Enquanto isso, a retomada da eficiência e a melhora na qualidade do serviço permanecem como prioridades essenciais para recuperar a confiança dos clientes e tentar estabilizar o negócio. O esforço faz parte de uma estratégia mais ampla de reestruturação, que inclui a busca por soluções legais e financeiras para manter a operação.
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