O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta domingo, durante participação no programa Sunday Morning Futures, da Fox News, que a alta no preço da carne bovina no país estaria relacionada à chegada de imigrantes sul-americanos com gado infectado. A declaração gerou críticas e controvérsia, uma vez que ele não apresentou provas concretas para apoiar a afirmação.
Declaração polêmica sobre inflação da carne
Durante a entrevista, Bessent foi questionado pela apresentadora Maria Bartiromo sobre a recente fala de Nate Rempe, CEO da Omaha Steaks, que previu aumento de preços da carne vermelha até US$ 10 por libra. Em resposta, o secretário do Tesouro atribuiu a elevação dos preços a imigrantes que, segundo afirmou, estariam levando gado doente para os EUA.
“Esses migrantes trouxeram parte de seu gado com eles. Portanto, parte do problema é que tivemos de fechar a fronteira para a carne bovina mexicana por causa dessa doença chamada screwworm (mosca da bicheira). Não vamos permitir que isso entre na nossa cadeia de abastecimento”, declarou Bessent, sem apresentar dados científicos que sustentem a sua tese.
Reações e críticas às declarações de Bessent
As afirmações do secretário geraram reações nas redes sociais, onde imagens de vacas embarcando em aviões ou sendo lançadas por cima do muro na fronteira com o México foram divulgadas como críticas à narrativa de Bessent. Especialistas em economia e saúde animal destacam que não há evidências que liguem a inflação da carne à imigração descontrolada.
Contexto econômico e impacto nos preços
A carne bovina tem contribuído para a elevação do custo de vida nos EUA, com aumento acima da média nos últimos meses: 1,2% em setembro, 2,7% em agosto e 1,5% em julho, segundo dados recentes. Analistas atribuem as altas a reflexos do tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump em abril de 2023, que aplicou tarifas de 10% sobre produtos de diversos países importadores, incluindo a carne brasileira, com uma sobretaxa de 40%.
Medidas recentes do governo Trump
Na última sexta-feira, Donald Trump eliminou tarifas recíprocas sobre carne bovina, tomates, café, bananas e outros produtos agrícolas, embora a sobretaxa de 40% sobre a carne brasileira continue vigente. O aumento nos custos de produção e a redução na oferta também pressionam os preços, agravando o cenário de inflação alimentar.
Perspectivas futuras
Especialistas alertam que a relação entre imigração, saúde animal e preços da carne requer estudos aprofundados, evitando conclusões precipitadas que possam estimular discursos xenofóbicos. A questão da inflação nos alimentos continua sendo um desafio para o governo e o setor agroindustrial, que buscam alternativas para estabilizar os preços.
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