Celebrando a Missa do Jubileu dos Pobres na Nona Jornada Mundial dos Pobres, o Papa Leo XIV transmitiu uma mensagem de esperança e solidariedade, pedindo aos cristãos que não se fechem em um mundo “religioso” ou isolado, mas que contribuam para uma sociedade marcada pela fraternidade e dignidade.
Papa Leo XIV reforça a esperança e a solidariedade na Jornada Mundial dos Pobres
Durante a homilia na Basílica de São Pedro, o pontífice refletiu sobre o “dia do Senhor” e os momentos de turbulência na história, ressaltando que a promessa de Cristo permanece firme, mesmo em tempos de guerra, violência e feridas sociais profundas. Segundo Leo XIV, a esperança cristã é ancorada na certeza de que Deus é o “sol da justiça”, que se aproxima de cada pessoa, especialmente dos pobres e sofridos.
Ao citar o profeta Malaquias, afirmou que o “dia do Senhor” é o início de uma nova era em que “as esperanças dos pobres e humildes receberão uma resposta definitiva do Senhor”. O papa lembrou que Jesus é essa “luz do mundo” que promete estar presente mesmo nos momentos mais sombrios, como o versículo que diz “Nem um fio de cabelo de vocês se perderá” (Lc 21:18), fortalecendo a esperança de quem enfrenta dificuldades.
O caráter universal do amor de Deus pelos pobres
Marcando seu primeiro Dia Mundial dos Pobres como papa, Leo XIV dirigiu uma homenagem especial aos que vivem na pobreza e na exclusão social. “Enquanto a Igreja inteira celebra, quero sobretudo anunciar a vocês, queridos irmãos e irmãs, as palavras irrevogáveis do Senhor Jesus: ‘Dilexi te, eu te amei’”, afirmou, citando sua recente exortação apostólica sobre o amor pelos pobres, Dilexi Te.
Na ocasião, o pontífice ressaltou que o amor de Deus por cada um é eterno e que, na condição de Igreja, o objetivo é ser “mãe dos pobres, acolhedora e promotora de justiça”, mesmo diante das várias formas de pobreza que ainda afligem o mundo.
Latente na sociedade, a solidão como uma pandemia invisível
Leo XIV observou que “tantas formas de pobreza” coexistem, desde a carência material até a pobreza moral e espiritual, especialmente entre os jovens. Segundo ele, a maior tragédia é a solidão, que deve ser encarada de forma integral, promovendo uma cultura de atenção e cuidado, não apenas a ações emergenciais, mas também de formação de uma convivência solidária.
“Vamos estar atentos aos outros, onde quer que estejamos, e sermos testemunhas da ternura de Deus em nossas famílias, trabalhos, escolas, comunidades e também no mundo digital”, convidou o papa.
“Não há paz sem justiça”, alerta papa
Em relação aos conflitos atuais, Leo XIV afirmou que a proliferação de guerras “parece confirmar uma impotência” da humanidade, mas alertou que essa resignação é uma mentira. “A globalização da impotência nasce de uma mentira, de acreditar que a história é assim e não pode mudar”, destacou.
Segundo o papa, o Evangelho nos lembra que, mesmo nas turbulências, Cristo vem nos salvar: “No caos das provas, o Senhor vem ao nosso encontro e nos convida à esperança ativa.“ Ele também pediu atenção às lideranças mundiais, exortando-as a ouvirem o clamor dos pobres, pois “não pode haver paz sem justiça”.
Compromisso social e espiritual da Igreja
Leo XIV agradeceu aos trabalhadores da caridade e encorajou-os a continuarem sendo “a consciência crítica da sociedade”. “Os pobres são o próprio Cristo, e a Igreja os acompanha como mãe, construindo pontes onde o mundo edifica muros”, frisou.
Além disso, convidou a todos a se inspirarem nos santos que dedicaram suas vidas aos mais vulneráveis, citando São Bernardo de Labre, padroeiro dos sem-teto, como exemplo de serviço desinteressado.
Pessoas em situação de vulnerabilidade no centro das ações
Milhares de fiéis em situação de pobreza ou exclusão social participaram da missa na Basílica de São Pedro e nas praças próximas, acompanhados por organizações católicas. Dentre eles estavam cerca de 1.500 pessoas provenientes da França, que enfrentaram as ruas, prostituição ou prisão, e que visitaram Roma em uma peregrinação de solidariedade.
Papa reafirma sua esperança na força da esperança cristã
Ao encerrar a celebração, Leo XIV reforçou que, diante de crises de guerra e perseguição, a esperança dos cristãos permanece firme. “As palavras de Jesus nos encham de coragem: ‘Quando vocês ouvirem falar de guerras e revoltas, não se assustem’ (Lc 21:9). O tempo sombrio não anula a luz da fé”, afirmou, pedindo orações pelos países afetados por conflitos, incluindo Ucrânia, Congo e Peru.
Ele também pediu orações pelas vítimas de acidentes e pelas famílias enlutadas, bem como por um mundo mais justo e fraterno, onde a esperança seja uma luz capaz de transformar a realidade. “A esperança é o caminho que nos faz caminhar na verdade e na justiça”, concluiu.


