Brasil, 15 de dezembro de 2025
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Carão é flagrado com cinco filhotes em área urbana em Indaiatuba, SP

Renata Ivaskevicius registra casal de carão (Aramus guarauna) com filhotes em meio à rotina agitadas do Ambulatório de Oncologia.

Em um dia comum no Ambulatório de Oncologia – Mini Hospital de Indaiatuba, SP, uma cena inusitada chamou a atenção de uma enfermeira administrativa. Renata Ivaskevicius notou um casal de carão (Aramus guarauna) acompanhando cinco filhotes em plena área urbana. Esses registros feitos por Renata revelam não apenas a relação entre os pais e a prole, mas também a surpreendente adaptação da ave em um ambiente cercado por edificações.

Observações de Renata Ivaskevicius

Trabalhando no hospital desde 2019, Renata se habituou a ver frequentemente esses pássaros, que fazem ninho em uma árvore localizada no estacionamento da unidade. No entanto, mesmo com a proximidade habitual, ela não conhecia a espécie até recentemente. “Todos os anos eles fazem ninho em uma árvore específica do estacionamento, e segundo os funcionários mais antigos, isso começou bem antes de 2019”, conta.

A enfermeira ficou intrigada com o som que as aves emitiam. “Eles me chamaram atenção por conta dos gritos estridentes, parecidos com uma gralha. Eu escuto e os avisto da janela da minha sala”, lembra. Em setembro de 2025, Renata capturou em vídeo um momento especial: o casal de carão caminhando pela grama com seus filhotes. “Parece que essa espécie tem um padrão, ela sempre bota os ovos na mesma árvore e galho”, explica.

A vida dos carões em meio ao urbano

O que mais impressionou a enfermeira foi o comportamento dos filhotes ao descerem da árvore. “Nessa fase que filmei, eles despencam da árvore de uma vez, e os pais descem e ficam em volta. Depois disso, eles vão com os filhotes atravessando a avenida do Parque Ecológico até chegarem em um córrego”, detalha Renata.

Esses registros são curiosos, pois mostram a relação do casal de carão com os filhotes, e revelam a proximidade com uma espécie que normalmente é arisca. O fato de tudo isso ocorrer em um ambiente urbano é ainda mais intrigante. “Estamos cercados por três escolas, uma igreja, uma unidade da UPA, o Centro de Especialidades Odontológicas e Central de Ambulâncias, e eles não se importam com o movimento”, observa Renata.

A adaptação do carão ao ambiente urbano

De acordo com Renata, moradores antigos do bairro afirmaram que a área onde o hospital se localiza era uma fazenda que foi loteada nos anos 80. As aves, aparentemente, se adaptaram bem ao cenário de concreto ao redor, encontrando um local para se reproduzir e alimento próximo. Luciano Lima, biólogo, explica que o carão vive em ambientes de áreas úmidas, como lagos e brejos, e que a dieta da espécie é restrita a moluscos de água doce, especialmente caramujos.

“Esse registro de uma família em uma área urbanizada é muito curioso. O que a mantém ali deve ser a proximidade a uma área úmida”, analisa o especialista. Ele ressalta que a presença da família de carão gera muitos questionamentos, mas que essas aves também oferecem um momento de conexão com a natureza em meio à rotina frenética de um ambulatório.

O papel do carão na saúde mental de visitantes

“Esse contato traz um momento de respiro e conforto; os pacientes também contemplam e eu faço questão de mostrar. É um momento de reflexão, de parar e observar o que está ao nosso redor”, complementa Renata. A enfermeira, apaixonada pela natureza, sente que essa interação com os carões proporciona um alívio emocional tanto para ela quanto para os pacientes.

Características da espécie

O carão, uma ave peculiar que integra a família Aramidae, pode medir até 70 cm de comprimento e possui penas em tons pardo-escuro, com uma notável estriação branca no pescoço. Durante o período reprodutivo, as fêmeas podem colocar até seis ovos. Uma curiosidade importante é que, após o nascimento dos filhotes, os pais não permanecem com o ninho, mas constroem uma plataforma de criação onde cuidam da prole durante as primeiras semanas de vida.

Com uma ampla distribuição pelo Brasil e também presente na Flórida, México, Argentina e Uruguai, essa espécie nos relembra a importância de preservarmos a natureza, mesmo em meio ao concreto das cidades.

Os registros de Renata Ivaskevicius trazem à tona a necessidade de observarmos a vida selvagem mesmo em ambientes urbanizados e como ela pode nos surpreender, proporcionando não apenas aprendizado, mas também uma conexão inestimável com o mundo natural que nos cerca.

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