A atleta e treinadora de taekwondo Hanieh Shariati Roudposhti foi detida em Teerã, no Irã, após ser vista treinando sem o hijab, o véu islâmico que é obrigatório para mulheres no país. Segundo a organização norueguesa Hengaw para os Direitos Humanos, Hanieh foi levada por forças de segurança na noite de domingo (9) para um local desconhecido, permanecendo incomunicável por mais de 24 horas. O incidente não apenas levantou preocupações sobre os direitos humanos no Irã, mas também gerou uma onda de apoio e protesto nas redes sociais.
Consequências da detenção
Após sua detenção, as contas de Hanieh nas redes sociais, incluindo um perfil no Instagram com cerca de 160 mil seguidores, foram invadidas e desativadas. De acordo com a Hengaw, as páginas passaram a exibir mensagens associadas à polícia cibernética iraniana, evidenciando a vigilância rigorosa que o governo exerce sobre as atividades online dos cidadãos.
Reaparição sob controle
Nesta terça-feira (11), Hanieh apareceu em um vídeo publicado em seu Instagram, usando o véu e afirmando estar em casa desde a segunda-feira (10). Ela declarou que suas postagens anteriores foram consideradas “inapropriadas” pelas autoridades. Fontes ouvidas pela emissora independente Iran International, no entanto, afirmaram que a atleta foi libertada sob condições rígidas impostas pelos órgãos de segurança, o que levanta questões sobre sua liberdade de expressão e segurança pessoal.
Um cenário de repressão
O episódio ocorre em meio a uma nova onda de repressão no Irã, onde, nos últimos meses, altos funcionários do regime intensificaram os discursos a favor de uma aplicação mais severa das leis do hijab. O procurador-geral Mohammed Movahedi-Azad declarou que observar o código de vestimenta é “um dever religioso” e que os promotores devem agir com rigidez contra aqueles que descumprem essas normas. Em Esfahan, uma das maiores cidades do país, o chefe do Judiciário provincial também pediu punições a quem demonstrar “comportamento público imoral”. Essas declarações coincidem com manifestações recentes de mulheres iranianas que têm desafiado o uso obrigatório do véu em festas e eventos públicos, atos que viralizaram nas redes sociais e se tornaram símbolos de resistência.
A luta pelo respeito e dignidade
Desde a morte de Mahsa Amini em 2022, sob custódia policial após ser presa por não usar corretamente o hijab, o país vive um clima de tensão. Mahsa se tornou ícone do movimento Mulher, Vida, Liberdade, que mobilizou multidões e provocou uma dura repressão por parte do Estado. Segundo a Human Rights Watch, mais de 500 pessoas foram mortas, e cerca de 20 mil foram presas durante os protestos que denunciavam a violência e o controle sobre as mulheres no Irã. Significativamente, esses eventos têm alimentado a narrativa de um país em crise, onde a luta pelo respeito e dignidade das mulheres se intensifica a cada dia.
O caso de Hanieh Shariati Roudposhti traz à tona a luta contínua das mulheres iranianas por autonomia e respeito, e seu impacto reverberará tanto internamente quanto internacionalmente. Seguir atualizando a situação da atleta e as reações do público será crucial para entender como a sociedade iraniana, e o mundo, responderão a essa repressão crescente.


