A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) dá início, nesta terça-feira (11 de novembro), ao julgamento do núcleo 3 da trama golpista, um caso que vem chamando a atenção da população e gerando discussões acaloradas sobre a segurança e a defesa da democracia no Brasil. Denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), os réus do chamado grupo “kids pretos” são acusados de graves crimes, dentre eles o golpe de Estado. Este grupo, composto por oficiais das Forças Especiais do Exército e um policial federal, é acusado de elaborar planos que visavam atacar altas autoridades do país.
As acusações e o contexto do julgamento
O núcleo 3 é alvo de denúncias que datam de ações de monitoramento e planejamento de ataques. Segundo informações da PGR, o grupo teria elaborado um plano intitulado “Punhal Verde e Amarelo”, que continha propostas profundas e alarmantes, incluindo o assassinato de importantes figuras políticas como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
A definição da data do julgamento foi efetuada pelo presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino, após uma solicitação do relator das ações, Alexandre de Moraes. Serão realizadas sessões extraordinárias nos dias 11, 12, 18 e 19 de novembro, garantindo que o processo avance rapidamente em direção à resolução.
Denúncias e defesas no STF
A acusação da PGR solicita penalidades severas a quase todos os réus envolvidos. No entanto, um dos principais acusados, o tenente-coronel do Exército Ronald Ferreira de Araújo Júnior, recebeu um tratamento distinto. Embora ele tenha sido denunciado pelos mesmos crimes que pesaram sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, a PGR argumentou que a conduta de Araújo Júnior não é equiparada à daqueles que teriam um maior envolvimento na trama golpista.
Durante o processo, Araújo Júnior admitiu ter colaborado com a criação e a divulgação da chamada “carta do golpe”, um documento que tentou convencer tanto a população quanto as Forças Armadas a se unirem a um movimento de ruptura institucional. O então comandante do Exército, general Freire Gomes, descreveu a carta como uma forma de pressão sobre a tropa.
Após a análise dos fatos, a conduta do tenente-coronel foi desclassificada, e ele agora enfrenta apenas uma acusação de incitação ao crime, um delito menos severo que prevê pena de 3 a 6 meses de detenção. Essa decisão gerou críticas e questionamentos sobre a equidade no processo judicial.
Quem está no núcleo 3
O núcleo 3 é composto por um grupo seleto de militares e um policial federal, sendo eles:
- Bernardo Romão Correa Netto – coronel do Exército;
- Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira – general da reserva do Exército;
- Fabrício Moreira de Bastos – coronel do Exército;
- Hélio Ferreira Lima – tenente-coronel do Exército;
- Márcio Nunes de Resende Júnior – coronel do Exército;
- Rafael Martins de Oliveira – tenente-coronel do Exército;
- Rodrigo Bezerra de Azevedo – tenente-coronel do Exército;
- Ronald Ferreira de Araújo Júnior – tenente-coronel do Exército;
- Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros – tenente-coronel;
- Wladimir Matos Soares – policial federal.
Julgamentos em andamento e previsão para conclusão
Estimativas sugerem que o julgamento de todos os quatro núcleos relacionados à trama golpista deve ser finalizado até o fim deste ano. O relator Alexandre de Moraes destacou a urgência na análise, a fim de que todos os envolvidos, independentemente da condenação ou absolvição, possam ter seus casos julgados com seriedade e rigor.
Com a análise do núcleo 3 em curso, resta apenas o núcleo 2, que inclui o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques. Segundo a PGR, o núcleo 2 proporcionou suporte ao núcleo principal que arquitetou a tentativa de golpe. A análise da defesa dos réus desse núcleo está agendada e será fundamental para o desenrolar dos processos.
A expectativa da sociedade é que o STF atue com a transparência e a firmeza necessárias para reforçar a confiança nas instituições e no durante este momento delicado da política brasileira, buscando a justiça e a verdade dos fatos.


