Brasil, 10 de dezembro de 2025
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Retorno de Lula a Brasília movimenta definições políticas

Presidente discute nova indicação para o STF e projeto de lei antifacção após participação na COP 30 em Belém.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou a Brasília na noite de segunda-feira após uma intensa semana em Belém, onde participou de eventos preparatórios e da abertura da COP 30. De volta ao Palácio do Planalto, Lula deverá debater crucialmente o sucessor de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) e avaliar a situação política acerca do projeto de lei Antifacção, proposto por Guilherme Derrite (PP-SP).

Favorito para a vaga no STF

Embora a indicação do novo ministro da Corte tenha se arrastado, fontes próximas ao presidente Lula informam que o advogado-geral da União, Jorge Messias, continua sendo o candidato mais cotado para ocupar a vaga deixada por Barroso. Há cerca de três semanas, Lula conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e adiou a escolha do sucessor, ainda sem uma definição clara.

Na última segunda-feira, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), declarou em Belém que Lula deve se reunir com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também cotado para a vaga, antes de anunciar a decisão. “O presidente Lula deve se encontrar com Pacheco para anunciar o nome”, afirmou Wagner, transmitindo a expectativa de que um anúncio sobre o novo ministro seja feito em breve.

Projeto de lei antifacção em revisão

Além da questão do STF, o governo Lula enfrenta pressões quanto ao projeto de lei destinado ao combate a facções criminosas no Brasil. Este projeto, liderado por Guilherme Derrite, secretário de Segurança de São Paulo, sofreu mudanças que estão sendo analisadas pelo Ministério da Justiça e pela Secretaria de Relações Institucionais. A expectativa é que uma nova versão do texto seja apresentada nesta terça-feira.

As modificações sugeridas por Derrite têm gerado tensões. O governo se mostra relutante em aceitar qualquer alteração significativa ao texto original e parece determinado a manter uma abordagem mais rigorosa no combate ao crime organizado. “Não há disposição para negociar os elementos que blindam o crime organizado”, destacam fontes do governo.

Conteúdo polêmico no projeto

Um dos pontos centrais que preocupa o governo é uma proposta que equipara crimes cometidos por facções ao terrorismo, possibilitando penas que variam de 20 a 40 anos. Contudo, embora o texto não classifique formalmente as facções como terroristas, ele prevê que as práticas violentas dessas organizações recebam um tratamento penal equivalente ao terrorismo.

Outro ponto polêmico é a possibilidade de que a Polícia Federal tenha que buscar autorização dos governadores para investigar organizações criminosas, um movimento que poderia limitar a atuação federal em casos de crime organizado em Estados.

Frente a essas mudanças, o governo tem adotado um discurso mais agressivo, atacando as propostas de Derrite como “blindagem a bandidos”. Em uma entrevista à Globo News, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, expressou sua preocupação: “Não dá para aceitar esses pontos no projeto. É preferível ser derrotado na disputa do que fazer mediações que prejudiquem o combate ao crime”, afirmou.

Esta semana promete ser franca no Palácio do Planalto, com Lula se posicionando acerca de duas questões crucialmente interligadas que definirão o rumo do governo e sua agenda legislativa. O desenrolar dessas decisões terá um impacto significativo na política nacional e, possivelmente, nas futuras diretrizes do combate ao crime organizado no Brasil.

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