Brasil, 12 de dezembro de 2025
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Quando crianças e adolescentes podem começar a musculação

Estudo revela que jovens a partir dos 8 anos podem praticar musculação com segurança e supervisão adequada.

A importância da atividade física entre os mais novos é indiscutível. Desde muito cedo, muitas crianças já começam a participar de aulas de natação, futebol, ballet e outras atividades que trazem benefícios a curto e longo prazo. Mas e quanto ao treino de força? Existe uma idade mínima para que os jovens possam começar a praticar musculação em uma academia?

A idade ideal para começar a musculação

Sim, e pode ser mais cedo do que se imagina. Embora muitos pais tenham receios, influenciados por mitos como o impacto negativo no crescimento, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) afirma que a partir dos 8 anos já é possível iniciar um programa de treinamento de resistência, contanto que sejam feitas as devidas adaptações.

Nesta faixa etária, o treino deve envolver apenas pesos livres, como halteres e anilhas, com limite de até 15 kg, não excedendo 30 minutos de duração e deve ser realizado três vezes por semana. Além disso, é fundamental que o treino seja feito sob supervisão individual e complementado com atividades aeróbicas, como corrida e bicicleta, também por períodos de 30 minutos.

Entendendo a maturidade da criança

Getúlio Bernardo Morato Filho, pediatra do Grupo de Trabalho sobre Atividade Física da SBP, ressalta que a faixa dos 8 anos é uma média, e não uma regra absoluta. O que realmente conta é a capacidade da criança de compreender e seguir instruções.

“A questão principal não é a idade cronológica, mas a maturidade da criança para se concentrar em uma tarefa e seguir orientações profissionais. O essencial é que essa decisão seja guiada pelo interesse e pela capacidade da criança, e não apenas por um número específico”, explica Morato Filho.

Avançando no treino

À medida que os jovens crescem, poderão começar a usar máquinas fixas, desde que tenham o tamanho suficiente, pois essas máquinas são projetadas para adultos. Hugo Tourinho Filho, professor da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, explica que é necessário considerar a situação de cada adolescente para fazer essa transição.

“O maior desafio é adequar as cargas de treinamento às necessidades individuais. A classificação pode ser feita em pré-púberes, púberes e pós-púberes, pois durante a adolescência diferentes níveis de maturação podem ser observados”, afirma Tourinho Filho.

Os especialistas destacam que a identificação do nível de maturação da criança é essencial; os objetivos do treino variam conforme a fase. No início, o foco deve ser o desenvolvimento da coordenação, força e agilidade de maneira natural. Para adolescentes já pós-púberes, as metas podem incluir um aumento da potência e hipertrofia muscular.

Evitar lesões e garantir um progresso saudável

Denise Machado e Silva, presidente do Departamento Científico da Adolescência da Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro, ressalta a importância de realizar exercícios livres e com elásticos antes da fase puberal, garantindo uma base motora sólida e prevenindo lesões. “Os riscos de lesão às cartilagens são maiores nos pré-púberes”, adverte.

Contrariando os mitos, uma revisão de estudos publicada na Revista Brasileira de Ciência e Movimento indica que o treinamento de força, quando orientado corretamente, não compromete o crescimento das crianças. “Na verdade, se realizado adequadamente, contribui para o aumento da densidade óssea”, explica Marilena de Menezes Cordeiro, endocrinologista pediátrica e membro do Comitê de Endocrinologia da Soperj.

A The Simple Gym, rede de academias no Rio de Janeiro, adota uma abordagem focada no aprendizado técnico, coordenação e consciência corporal para jovens de 10 a 13 anos. Erik Moraes, educador físico e cofundador da rede, destaca a importância de dominar o próprio corpo antes de adicionar sobrecargas. “A partir dos 14 anos, já é possível iniciar o treino de musculação de forma estruturada, sempre sob orientação de um profissional”, acrescenta.

Benefícios e riscos da musculação na adolescência

Quando realizado corretamente, a musculação traz diversos benefícios aos jovens, como o crescimento saudável, maior coordenação motora e melhora na função cardiorrespiratória. Cristiane Murad, pediatra e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ressalta a melhora da sensibilidade à insulina e a proteção articular entre os benefícios.

Contudo, a falta de acompanhamento profissional pode resultar em riscos significativos, como lesões musculoesqueléticas e acidentes durante os exercícios. “Especialmente se houver cargas excessivas ou má técnica, podem ocorrer fraturas, tendinites e problemas posturais”, alerta Murad.

Os jovens também estão suscetíveis a influências externas, como o uso indiscriminado de suplementos e anabolizantes. Getúlio Morato Filho conclui que é essencial que a orientação e o acompanhamento sejam constantes, a fim de garantir que o treino seja seguro e eficaz.”

Em suma, ao iniciar a musculação, o critério deve ser sempre a capacidade e a maturidade da criança, proporcionando um caminho saudável e livre de mitos.

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