Brasil, 22 de janeiro de 2026
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Governo de SP pretende dividir escolas com mais de 1,2 mil alunos

A proposta visa melhorar a gestão escolar e o acompanhamento pedagógico, mas enfrenta resistência de sindicatos de professores.

A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo está avaliando uma proposta inovadora que pretende dividir escolas com mais de 1,2 mil alunos em duas unidades administrativas distintas. Essa mudança, segundo o governo, busca aprimorar a gestão e o acompanhamento pedagógico nas instituições que atendem um número elevado de estudantes. A adesão a essa nova estrutura será voluntária e deverá entrar em vigor no próximo ano.

Contexto da proposta

Atualmente, o estado de São Paulo conta com cerca de 5 mil escolas que atendem aproximadamente 3 milhões de alunos. Destas, 330 apresentam mais de 1,2 mil alunos, o que é considerado o dobro da média das instituições da rede. Até este momento, 110 escolas já manifestaram interesse em participar dessa proposta de divisão. As instituições têm até esta quarta-feira (12) para comunicar oficialmente a adesão, além de apresentarem suas estratégias para reorganizar as turmas e os turnos de aula.

Como funcionará a divisão

A proposta do governo sugere a criação de novas escolas dentro do mesmo endereço, mas com nomes e gestões distintos. A parte física das escolas, no entanto, permanecerá inalterada; espaços como quadras esportivas e pátios continuarão a ser compartilhados entre as unidades. Na prática, cada turno terá um diretor próprio, permitindo uma gestão mais focada e próxima da realidade de cada grupo de alunos.

Melhorias na gestão escolar

Michel Minerbo, subsecretário de Planejamento da Rede Escolar, destacou que a estrutura atual não permite um acompanhamento efetivo, uma vez que um diretor pode lidar com até 100 professores e 1.400 famílias. “Quanto maior a escola, em geral, o desempenho é um pouco pior”, afirmou. Com a divisão, o diretor da nova unidade terá menos alunos sob sua responsabilidade, o que deve facilitar o acompanhamento pedagógico e administrativo.

Impacto nos alunos e professores

Um ponto importante a ser destacado é que nem alunos nem professores precisarão mudar de prédio. De acordo com Minerbo, “aquele aluno que permanecer no mesmo local, mas fizer parte da nova escola, terá a matrícula migrada automaticamente. Não haverá impacto direto para os estudantes.” Essa medida visa garantir a continuidade dos estudos sem interrupções ou mudanças significativas no cotidiano escolar.

Reações da comunidade escolar

Apesar dos argumentos favoráveis apresentados pelo governo, a proposta enfrentou resistência por parte do sindicato dos professores da rede estadual, a Apeoesp. Em um manifesto divulgado, o sindicato protesta contra a proposta, afirmando que não houve diálogo adequado entre a gestão estadual, a comunidade escolar e as entidades representativas. “A gestão atual não dialogou com a Apeoesp, com as demais entidades, a comunidade escolar e a sociedade”, declara o texto do sindicato.

Por outro lado, a Secretaria da Educação respondeu às críticas afirmando que houve discussões com as Diretorias Regionais de Ensino e que a proposta almeja primar pela qualidade do ensino nas instituições.

Próximos passos

Ainda que a proposta tenha gerado críticas, a Secretaria da Educação avalia que as instituições interessadas passarão por uma avaliação nos próximos 15 dias. Após essa fase, o governo planeja publicar um decreto até dezembro, oficializando a criação das novas unidades. A lista final das escolas que participarão da divisão deverá ser divulgada ainda este ano, trazendo mais clareza sobre os próximos passos dessa reestruturação.

Com essa proposta, o governo paulista busca enfrentar um desafio importante na educação, tentando melhorar a gestão e o aprendizado nas grandes escolas. Entretanto, a resistência da comunidade escolar revela que o caminho para a implementação será repleto de discussões e debates significativos.

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